Entrevista: Sessler se prepara para sua 3ª temporada na Espanha

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Entrevista: Sessler se prepara para sua 3ª temporada na Espanha

Brasileiro que integra a equipe espanhola Burgos-BH fala sobre a temporada 2019, suas expectativas para o próximo ano e como foi sua participação na ultramaratona Brasil Ride

Sessler integra a equipe espanhola Burgos-BH

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Nícolas Sessler se prepara para sua terceira temporada no ciclismo europeu. O brasileiro de 25 anos, de Ribeirão Preto, no interior paulista, integrante da equipe espanhola Burgos-BH, falou com o Bikemagazine sobre 2019, suas expectativas para 2020, o “retorno” ao MTB na ultramaratona Brasil Ride e muito mais. Confira:

Sessler na fuga da Volta ao País Basco, em abril: ponto alto

Qual o balanço da temporada 2019? Quais foram os pontos altos? Quais provas destaca?
2019 foi a minha segunda temporada no universo do ciclismo “profissional” e acredito ter evoluído bastante com relação à 2018. Tanto fisicamente como mentalmente estava melhor preparado e fui capaz de manter um bom nível e regularidade ao longo de todo o ano, algo que antes tive dificuldades. Para mim os grandes destaques pessoais foram as duas provas World Tour (Vuelta al País Vasco e Clássica San Sebastian) de que participei. Foram as provas com maior nível de participação, com nomes como Julian Alaphillipe, Egan Bernal, Nairo Quintana, Primoz Roglic, Geraint Thomas, Alejandro Valverde, Michal Kwiatkowski e cia que já havia disputado até então e me ajudaram a ganhar muita confiança pessoal ao ver que também posso disputar e andar no nível destes caras! O dia em que saí na fuga na 2ª etapa do País Vasco certamente ficará marcado na minha memória.

Como estão os planos para 2020?
2020 será meu terceiro ano de Burgos – BH e fico muito feliz em seguir representando e levantando a bandeira brasileira no ciclismo profissional europeu e mundial. Minha expectativa é que possa seguir evoluindo e que, com a bagagem e experiência adquirida nestas últimas duas temporadas, seja capaz de começar a “aparecer” um pouquinho mais e também buscar alguns resultados pessoais em algumas provas que receba essa liberdade da equipe.

Na ultramaratona Brasil Ride Foto: Hudson Malta

Como foi voltar ao MTB na ultramaratona Brasil Ride? (Sessler começou a carreira no MTB, foi duas vezes campeão brasileiro e chegou ao 7º lugar no ranking mundial Junior da UCI). Fale um pouco sobre a experiência.
Foi animal! Sou muito grato ao meu parceiro Edson Rezende, ao Henrique Avancini e ao Mario Roma por me proporcionarem essa oportunidade. A ideia toda surgiu meio de última hora conversando com o Henrique quando voltava de férias depois do Tour da China. Ele buscava um parceiro para correr com o Edson e perguntou se eu não encarava o desafio. Foi uma experiência realmente muito legal e espero fazer dela uma “rotina” para os próximos anos.

Como está sua rotina de treinos no período de base aqui no Brasil? Até quando fica no Brasil?
Depois da ultramaratona Brasil Ride tirei alguns dias de férias e descanso sem a bike para deixar o corpo e sobretudo a mente recuperarem. Este descanso é muito importante porque é a única época que realmente podemos desconectar e levar uma vida “normal” por alguns dias sem nos preocupar com tempos de recuperação, nutrição e etc. Agora, ao longo das próximas semanas retomo pouco a pouco os trabalhos pensando em preparar o corpo para os desafios que enfrentarei durante a temporada. Este início até o meu retorno para a Espanha (marcado pra primeira semana de janeiro) é relativamente tranquilo. O volume de treinos na bike ainda não é muito grande, então aproveito para realizar trabalhos de exercícios funcionais e força na academia, assim como um pouco de natação e algo de corrida a pé. Aproveito também para alguns dias na semana sair um pouco com a MTB porque quando o período específico chegar provavelmente não terei mais tempo para isso.

Sessler no pelotão pro: brasileiro aguarda definição sobre seu calendário para 2020

Há mudanças previstas na sua equipe?
A tendência é que a equipe melhore ainda mais para o ano que vem. Novos patrocinadores estão entrando e o número de atletas também aumentou (seremos 20, contra 17 neste ano). Ainda não temos muitas informações sobre o calendário, porém a expectativa também é que façamos mais competições em 2020.

Você já tem um pré-calendário para 2020?
Não, ainda não sentamos para conversar nada. Normalmente no meio de dezembro os diretores costumam nos passar algumas referências e datas para termos em consideração.

2020 é ano Olímpico. Qual suas apostas para o ciclismo e MTB?
Na estrada sempre é muito difícil prever, ainda mais sendo logo depois do Tour e do outro lado do mundo. Pelo que me informei, o circuito de Tóquio é duro e assim como em 2016 deve favorecer aos ciclistas escaladores mais explosivos como um Valverde, Alaphillipe etc. Minha aposta: Jakob Flugsang. No MTB não tenho dúvidas: Henrique Avancini!

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