No hall da fama do Everesting após subir 35 vezes o Morro da Cruz (SC)

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No hall da fama do Everesting após subir 35 vezes o Morro da Cruz (SC)

Jefté Ribeiro, o "Mexicano", conta como foi completar o desafio; foram 14h40min de pedaladas, com 175 km percorridos até atingir 9.805 metros de elevação

Jefté Ribeiro, o “Mexicano”, entra para o hall da fama do desafio Everesting

Dani Prandi/Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O brasileiro Jefté Ribeiro, o “Mexicano”, entrou para o hall da fama do desafio Everesting, que consiste em pedalar o equivalente aos 8.848 metros de altura do Monte Everest, o mais alto do mundo. A homologação veio da Austrália, nesta quarta-feira (27 de novembro), depois que o ciclista natural de Novo Hamburgo (RS) e morador de Florianópolis (SC), de 36 anos, subiu de bicicleta 35 vezes o Morro da Cruz, na capital catarinense. “Queria passar um pouquinho e terminei com 9.805 metros, com 175 km percorridos”, conta, em entrevista ao Bikemagazine.

Ciclista pedalou 14h40min e alcançou 9.805 metros de elevação

Mexicano, cujo apelido vem do bigode que ostenta, diz que ficou sabendo do Everesting no final do ano passado por um amigo. “Fiquei com a ideia na cabeça e como costumo treinar no Morro da Cruz, que nunca tinha entrado no Everesting, achei que o lugar seria ideal”, continua o atleta endurance da Bike Tech Floripa. O Morro da Cruz, vale destacar, já recebeu muitas vezes provas e etapas de competições de ciclismo ao longo dos anos, mas nunca tinha sido usado para o desafio.

Para se preparar, encarou a subida, com inclinação média de 11%, primeiramente 14 vezes; depois voltou a escalar mais 16 vezes e, por fim, 20 vezes. “Também subi a Serra do Rio do Rastro três vezes, quando percorri 102 km e atingi mais de 6 mil metros de elevação. Aí fui treinar no Morro da Igreja (no Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici), subi 4 vezes, foram 144 km com 5.078 metros de elevação.”

Depois de tanto treinar, o ciclista colocou uma “data na cabeça”. “Escolhi o dia 16 de novembro, meio de feriado, um sábado, quando o Morro da Cruz, que é uma área residencial, teria menos trânsito.” Antes, preparou a bike para encarar o desafio. “Fiz upgrade e deixei a bike ajustada para escaladas e treinos longos.”O ciclista pedalou uma Kuota Kiral, em carbono, equipada com relação Shimano 105, com coroas 38×50 e cassete 11×29, roda dianteira FFWD de carbono e roda traseira Reynolds Assault, com aros carbono.

A bike usada para o desafio

Amigos e incentivadores acompanharam o ciclista

Na data escolhida, junto com amigos e incentivadores, Mexicano largou antes das 6h da manhã e terminou por volta das 23h. “Tinha calculado pedalar durante 15 horas, mas terminei o desafio em 14h40min. Enfrentei temperaturas entre 11 graus e 36 graus. Como sabia que iria pegar calor durante boa parte do tempo, treinei muitas vezes ao meio-dia, para ir acostumando.” Durante a pedalada, alimentou-se a cada cinco subidas, com frutas, isotônicos, café e muita água. “Achei que iria terminar bem cansado, mas acabei muito bem.”

Durante o desafio, Mexicano se emocionou com o apoio dos amigos que o acompanharam. “Muitos subiram algumas vezes ao meu lado. E o Érico Miranda Schimitt, da Camerata Florianópolis, subiu as três últimas comigo e ainda tocou celo! Alexandre Pawlusky, Giovani Seco e Erni Meira, dono da Bike Tech Floripa e meu apoiador, me ajudaram muito também. Vários ciclistas escalaram junto comigo, alguns subiram dez vezes! Foi uma sensação sem igual… Sou muito agradecido a todos”, continua.

A escalada foi registrada pelo fotógrafo Vinicius Leyser, que é criador do projeto “Nesse Morro Eu Não Morro”, que reúne ciclistas dispostos a encarar o Morro da Cruz, cada um no seu ritmo, todas as quartas-feiras de noite.

Erni Meira, da Bike Tech Floripa, subiu cinco vezes o Morro da Cruz junto com o ciclista

Durante a pedalada, Mexicano optou por não se preocupar com os dados do Garmin. “Já tinha pensado antes sobre isso e sabia que não queria sentir a pressão dos números. Não usei fita cardíaca”, continua.

Acostumado a longas distâncias, o ciclista participou de uma prova pela primeira vez no ano passado. “Fui o segundo colocado na minha categoria na Volta de Governador Celso Ramos, mas eu gosto mesmo é de escaladas.” Antes de ir trabalhar no escritório, sai de casa para percorrer 128 km até o município de Tijucas. “Quando não consigo, subo o Morro da Cruz para satisfazer a vontade de andar de bicicleta.”

Agora que cumpriu o desafio do Everesting, novas ideias já estão rondando sua mente. “Foi muito bom, mas depois de alguns dias off, já estou pensando em escalar outros lugares.”

Com Florianópolis como cenário

A comemoração com os amigos no final do desafio

Até o dia 16 de novembro, o desafio Everesting já tinha sido realizado 44 vezes no Brasil e 4.315 pelo mundo. Para entrar no hall da fama, o ciclista deve realizar a pedalada em uma única tentativa, em apenas um morro ou colina em um trajeto único, que deve ser registrada em um dispositivo GPS – no caso de falhas é permitido o uso de celular. Os dados, então, são enviados ao site do Everesting e, caso seja o primeiro a ter cumprido determinado percurso, ficará registrado no hall da fama. Veja mais aqui

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