Inglês explica como fez Stravart do famoso grafite do Muro de Berlim

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Inglês explica como fez Stravart do famoso grafite do Muro de Berlim

Artista gráfico Gary Cordery conta com exclusividade ao Bikemagazine como nasceu o Stravart do grafite "Bruderkuss" para celebrar os 30 anos da queda do Muro de Berlim

O britânico Gary Cordery foi a Berlim a convite do Strava

Do Bikemagazine
Fotos e ilustrações de Gary Cordery

O Bikemagazine conversou com exclusividade com o artista gráfico britânico Gary Cordery que recriou no formato Stravart o famoso grafite “Bruderkuss”, do artista russo Dmitri Vrubel. O britânico de 51 anos que vive em Londres viajou para a Alemanha a convite do Strava para celebrar os 30 anos da queda do muro de Berlim.

O grafite foi pintado no lado ocidental do muro e o título pode ser traduzido como “Beijo Irmão ou Beijo Fraterno”. A arte foi criada a partir de uma foto do abraço entre o líder soviético Leonid Brezhnev e o líder alemão-oriental Erich Honecker, em 1990.

O grafite original foi pintado pelo russo Dmitri Vrubel em 1990 – Foto: Bundesarchiv

Para reproduzir com impressionante perfeição o Bruderkuss, Cordery pedalou um total de 224,69km em três dias na capital alemã. O resultado foi considerado uma obra-prima e ganhou as páginas dos principais jornais da Europa.
A atividade de Gary Cordery pode ser conferida em sua página do Strava.

Apaixonado pelo Stravart, Gary administra a página www.strav.art que reúne postagens do mundo todo, inclusive do Brasil, e por meio de um formulário qualquer pessoa pode enviar uma postagem.

Como você planeja seus desenhos no Strava?
Como sou designer gráfico eu sei usar bem o Adobe Illustrator ou o Photoshop para planejar o trajeto. Primeiramente, eu procuro uma imagem que quero recriar no Strava e baixo da internet. Depois jogo a imagem no Illustrator e posso traçar uma versão simples da imagem original, ou seja, um desenho vetorizado. Em seguida, no Google Maps, tiro um print da tela da área em que vou trabalhar, Berlim no caso.

O processo começa com a vetorização da imagem original a ser trabalhada

“Novamente jogo aquela imagem no Illustrator e sobreponho o desenho vetorizado sobre ela. Agora então posso ‘brincar’ com o tamanho da imagem vetorizada e ver onde ela encaixa melhor”.

O próximo passo é procurar encaixar a imagem vetorizada no mapa

“No caso do Bruderkuss, eu vi que a parte de trás do lado direito da cabeça de Honecker acompanhava uma avenida, então eu pude construir o restante da imagem a partir daí. Eu também tive sorte que o lugar exato onde os lábios deles se tocavam era o famoso Checkpoint Charlie* (* fronteira entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental)”.

“O próximo passo é ver onde a imagem vetorizada encaixa sobre ruas e espaços abertos para eu poder pausar o GPS. Isto envolve ajustar a arte original que quero reproduzir fazendo das curvas uma série de linhas retas para dar a impressão de curva”.

“Os locais de pausa do GPS são numerados em sequência, sejam nas ruas ou em parques. Basta voltar a cada ponto de pausa e prosseguir com a atividade.”

“Teve locais que tive que voltar três vezes para poder fazer uma imagem suave. Posteriormente, no Strava, crio uma rota separada que liga cada ponto numerado, assim 1-1, 2-3, 3-4 etc. Para desenhar o Bruderkuss tive que criar 242 rotas. Depois que todas as rotas foram criadas, imprimi uma página para cada uma com um mapa para eu não me confundir”.

A imagem é o resultado da união de 242 atividades; desafio maior é fazer as curvas perfeitas

“Assim, para cada rota, eu iniciava o GPS e pausava imediatamente. Então pedalava até o final daquela rota e ligava de novo o GPS para salvar a pedalada e obter uma linha reta.”

Depois de pedalar todas as rotas, Cordery usou o site https://gotoes.org/strava  para juntar todas as 242 atividades em uma única imagem.

Como você encarou o desafio de reproduzir uma imagem tão complexa?
Para começar, é muito assustador, pois a imagem não poderia ser mais complexa, mas era justamente o que o Strava queria. Felizmente, graças à experiência de 34 anos como designer gráfico, eu consigo fazer rapidamente uma imagem vetorizada de qualquer fotografia. Eles queriam a imagem do Bruderkuss por motivos óbvios e eu tinha muitas ruas e espaços público abertos para usar.

Você gostou de trabalhar em Berlim?
Berlim foi uma cidade bem legal de trabalhar, com muitas ciclovias e sem muito trânsito. Não consigo nem imaginar fazer isto em Londres. De planejar a arte olhando no computador o mapa de cima até estar nas ruas de Berlim foi muito estranho, já que os lugares eram bem diferentes do que havia imaginado.

Quais equipamentos você normalmente leva para fazer uma Stravart?

O equipamento usado por Gary Cordery: artista usou 2 GPS e não dispensou mapas em papel

Quando saio para pedalar levo dois GPS. Um Garmin que mantenho ligado direto para comprovar que fiz a pedalada. Ele gravou uma versão da arte que surpreendentemente pareceu muito mais com o Bruderkuss do que eu imaginava. Levei também um Wahoo com o upload de todas as rotas. O Wahoo eu usei para aplicar a técnica da pausa e para criar a arte final. Na minha mochila levei uma pasta com as 242 páginas impressas de todas as rotas na sequência para eventuais consultas durante pedalada. Cada página tinha um pequeno mapa, distância e locais de interesse.

Bruderkuss em Stravart concluído

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