Coronavírus: UCI recebe pedido de mais de 100 cancelamentos

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Coronavírus: UCI recebe pedido de mais de 100 cancelamentos

Comunicado da UCI fala sobre o calendário da temporada, prevê o congelamento do ranking de classificações e aborda a qualificação para Tóquio

O presidente da UCI David Lappartient: sem garantia sobre realocação de provas suspensas

Do Bikemagazine
Foto de divulgação

A UCI (União Ciclística Internacional) anunciou uma série de decisões para garantir a proteção dos ciclistas durante a pandemia do novo coronavírus, Covid-19. No comunicado, a UCI informa que já recebeu mais de cem solicitações de adiamentos e cancelamentos de provas e confirma que todos os eventos do calendário UCi em todo o mundo estão suspensos até o dia 3 de abril.

Entre as corridas adiadas e que esperam uma nova data estão o Giro d’Itália, a Volta da Catalunha e a Milão-San Remo. Na Bélgica, foram canceladas a Gent-Wevelgem e a E3 BinckBank Classic. A UCI informa que vai estudar a realocação do calendário, mas sem qualquer garantia.

As decisões foram tomadas com base na avaliação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) da situação atual relacionada à pandemia e as medidas restritivas adotadas por vários países da Europa. “A situação internacional ligada ao coronavírus acelerou, especialmente na Europa, o que levou as autoridades a tomar medidas drásticas que têm um grande impacto em nosso esporte em particular”, disse o presidente da UCI, David Lappartient.

VEJA O COMUNICADO

“Não desejando contribuir para a disseminação do vírus e com o objetivo de garantir a equidade esportiva em suas competições, a UCI, após várias reuniões de crise realizadas no final da semana passada e no fim de semana, tomou as seguintes medidas:

Sendo a segurança dos atletas uma missão prioritária da UCI, solicita-se expressamente aos organizadores que cancelem qualquer evento de ciclismo do Calendário Internacional UCI em territórios identificados em risco pela OMS.

Suspensão de todas as classificações para todos os eventos no Calendário Internacional UCI, em todas as disciplinas, de 15 de março de 2020 e até novo aviso, mas pelo menos até 3 de abril de 2020. Ao congelar os pontos durante o período indicado, a UCI preserva a equidade esportiva para o atletas.
 
No que diz respeito ao procedimento de qualificação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio 2020, que foi concluído no ciclismo de estrada, pista e para-ciclismo, mas ainda está em andamento no mountain bike, BMX Racing, BMX Freestyle e paraciclismo, a UCI tomou a decisão de pedir, respectivamente, ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e ao Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) que o período de qualificação seja interrompido retroativamente a partir de 3 de março de 2020. Mais uma vez, com essa forte decisão, a UCI garante a equidade esportiva quando se trata à concessão de cotas olímpicas.

Essas decisões importantes são guiadas pelo desejo do órgão mundial do ciclismo de garantir, tanto quanto possível, a segurança da saúde dos ciclistas, equipes, organizadores, parceiros, mídia e todas as pessoas envolvidas, incluindo o público, além de competições justas para atletas e suas equipes (comerciais e nacionais, no caso dos Jogos Olímpicos).

Com relação ao Calendário Internacional UCI, registrou-se até agora mais de cem solicitações de adiamento e cancelamento, e a lista está crescendo diariamente. Para o ciclismo de estrada profissional, a UCI consultou os órgãos que representam os organizadores (AIOCC), equipes (AIGCP) e ciclistas (CPA).

Em relação ao procedimento de qualificação olímpica e paralímpica para os eventos de ciclismo em andamento, a situação até o momento é a seguinte: considerando a incerteza em torno da propagação do vírus, mantendo os períodos de qualificação inicialmente planejados (11 de maio de 2020 para o BMX Freestyle, 27 de maio para a montanha) , 1º de junho para a BMX Racing e 7 de junho para o paraciclismo) resultariam em injustiça entre os países. A UCI decidiu, portanto, propor ao COI e ao IPC a interrupção do procedimento a partir de 3 de março, tendo em vista que, até essa data, nenhum país havia sido impedido de viajar para eventos.

Essa decisão é guiada pelo princípio fundamental de igualdade de tratamento para todos os atletas e pela importância de impedir que esses mesmos atletas façam mudanças incessantes em seus programas de competição e planos de treinamento. A situação de saúde em constante mudança também torna incerta a possibilidade de construir um calendário alternativo para eventos adiados, apesar da possibilidade de prorrogação até 30 de junho de 2020 concedida pelo COI a todas as Federações Internacionais. Além disso, deve ficar claro que 70% a 85% dos eventos de qualificação para essas disciplinas já foram realizados, e a classificação levada em consideração representa, portanto, um verdadeiro valor esportivo. Ao tomar essa ação, nossa Federação garante a integridade de nossos atletas, bem como a igualdade de tratamento de todas as nações e não contraria os princípios dos sistemas de qualificação do movimento olímpico.

A solicitação foi apresentada ao COI e ao IPC, a fim de permitir a publicação dos rankings e cotas olímpicas das demais disciplinas o mais rápido possível.
 
Com relação aos pedidos de adiamento de eventos, a UCI comunicará posteriormente a possível realocação de novas datas, de acordo com as possibilidades oferecidas pelo Calendário Internacional UCI, mas sem qualquer garantia.
 
Além disso, com relação ao pessoal da UCI, tomamos medidas em conformidade com as novas diretrizes do Conselho Federal da Suíça adotadas em 13 de março de 2020. Portanto, decidimos fechar os edifícios do Centro Mundial de Ciclismo (WCC) da UCI em Aigle, que abrigam a sede da federação, para o público. Para os 120 funcionários que trabalham para a UCI e o CMI da UCI implementamos um plano de continuidade de negócios por meio de home office a partir de terça-feira, 17 de março de 2020.
 
Finalmente, a UCI repete que coloca sua confiança nas autoridades competentes para conter a propagação do vírus e, por sua vez, continua a desempenhar o seu papel de órgão regulador do ciclismo para as famílias de nossos esportes, com a dupla prioridade de proteção à saúde e equidade esportiva. Nesse período de incerteza, a Federação Internacional continuará monitorando a situação de perto e tomando as medidas apropriadas no interesse de nosso esporte e apela à solidariedade de todos para superar estes tempos difíceis.”

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