Lance Armstrong conta sua verdade em documentário da ESPN

HomeCompetiçõesCaso Lance Armstrong

Lance Armstrong conta sua verdade em documentário da ESPN

Programa em duas partes mostra a trajetória do texano banido do ciclismo para sempre por doping e foi montado a partir de oito entrevistas por diretora especialista em documentários

Lance Armstrong no documentário da ESPN “The Last Lance”

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O documentário “The Last Lance”, do canal ESPN, estava sendo aguardado por muitos fãs do ciclismo. No programa, o polêmico Lance Armstrong, que perdeu todos os seus títulos e foi banido do ciclismo para sempre, disse que iria contar “suas verdades”. O primeiro dos dois capítulos foi exibido domingo (24 de maio) nos Estados Unidos, e o segundo episódio será apresentado neste domingo (31 de maio).

“Minha verdade é como eu me lembro”, avisa o texano. A trajetória de Lance Armstrong, que volta a encarar as câmeras para revisar seu passado sete anos após sua famosa confissão de doping em um entrevista com a estrela de televisão Oprah Winfrey, é o tema do programa dirigido pela documentarista Marina Zenovich e foi montado em torno de uma série de oito entrevistas realizadas com o ex-ciclista entre 2018 e 2019, nas quais ele modificou alguns dos detalhes que deu a Oprah. Por exemplo, que seu início no doping não ocorreu em 1996, mas quatro anos antes.

Lance Armstrong na vitória na chuvosa Oslo de 1993

“Eu provavelmente tinha 21 anos, foi a minha primeira temporada profissional”, diz ele. “Recebemos injeções de vitaminas e coisas assim antes? Sim, mas não era ilegal. E eu sempre soube o que estava recebendo. Sempre soube o que havia nas injeções e sempre tomei a decisão”, disse Armstrong, hoje com 48 anos. Cortisona era o produto que Armstrong usava na época. Em 1993, ele se tornou campeão mundial de ciclismo de estrada em Oslo, na Noruega, um dos poucos títulos que não foi retirado.

Na primeira parte, Lance Armstrong revela: “É um milagre eu não ser um assassino”, ao comentar a forma displicente como foi educado pela mãe, Linda. Nos 10 minutos seguintes, aparece seu padrasto, Terry Armstrong: “Ele não seria o campeão que é hoje sem mim, porque eu o orientei. Eu o orientei como um animal. Essa é a única coisa com a qual me sinto mal. Eu o fiz vencer a todo custo? Eu era um capataz, mas não o abracei o suficiente e disse que o amava. Eu estava sempre lá, sempre treinando ele, sempre exigindo. Mas não mostrei a ele o amor que deveria ter”.

Segundo Lance, ele sofria constantes agressões de seu padrasto. “Se eu deixasse uma gaveta aberta, ele puxava o taco da fraternidade e me espancava.”

Lance Armstrong e Pantani no Tour de France de 2000

Além da infância marcada pela violência e do título mundial conquistado aos 21 anos, a documentarista aborda temas como o câncer, fala de suas experiências com cortisona e hormônios, das sete vitórias consecutivas no Tour de France, de sua relação com os adversários, das acusações de doping e o fim da carreira, em 2013.

Armstrong é mostrado com várias caras e atitudes, mas não há espaço para remorso ou autocrítica. “A única forma de se dopar e ser honesto é se ninguém te fizer perguntas. Quando te perguntam, você mente. Todos mentimos”, afirma. “Eu não mudaria nada.”

O documentário só está disponível para os assinantes da ESPN Player.

Veja o trailer