Bike do leitor: confira a restauração de uma Peugeot 10

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Bike do leitor: confira a restauração de uma Peugeot 10

Médico conta como recuperou sua bike clássica depois de muita pesquisa e perseverança; acompanhe como foi feita a restauração

A bike depois de pronta

Do Bikemagazine
Fotos de arquivo

O médico Paulo José Haiek Araujo, de 61 anos, que mora em João Pessoa (PB), conta ao Bikemagazine como restaurou uma Peugeot 10. Confira:

“Comprei minha Peugeot 10 usada em abril de 1988 por CZ$ 18.000, equivalente a algo em torno de R$ 6 mil ou R$ 7 mil nos dias atuais. A bike é feita no Brasil e acredito que seja do ano 1985. Usei a bicicleta com frequência até 1992, quando me mudei de São Paulo para João Pessoa. Lá comprei uma mountain bike Caloi Osaka, que ainda está comigo, já modificada, e que ando sempre.

Por conta dos caminhos piores que usava, minha Peugeot ficou relegada a pedaladas eventuais. Em 2008, resolvi vendê-la. Pintei de preto guidão, mesa, descanso, algumas arruelas da mesa, canote e suporte de selim, que estavam mais enferrujados. Mas, por conta do valor do frete para São Paulo (de onde apareceram alguns interessados), o negócio não foi fechado.

Voltei a usá-la eventualmente, até que um amigo de São Paulo se interessou em comprá-la pelo preço que eu quisesse.

Detalhe do pedivela antes da restauração

Quando fui olhar com rigor para a Peugeot, decidi restaurá-la e notei que tinha coisas para fazer. Comecei trocando aros e raiação em setembro de 2012. Quando decidi dar uns retoques na pintura percebi que não dava mais. Ou deixava como estava ou recuperava totalmente.

Saí atrás de peças, cromação, adesivos etc. E cheguei a um impasse: reformar ou restaurar? E fui à luta. Cacei diagramas de montagem de bicicleta, câmbios… Desmontei toda a “magrela” e vi o que servia e o que não servia.

Quadro, garfo e guidão

Freios, blocagens, pedais e selim (que já não eram originais) não tinham mais condição. Os câmbios dianteiro e traseiro também estavam de dar dó. Arruelas e anéis do movimento central, caixa de direção e câmbio precisavam de cromagem. Parafusos em geral estavam também de dar dó. Pintura do quadro e decalques, sem condições.

Comecei garimpando na internet, a partir de um nome impresso na blocagem das rodas, “Maillard”, e cheguei no www.vintage-bike-shop.com (que não existe mais). Era um pessoal atencioso e que tinha muita coisa. Lá consegui os pedais, as blocagens, o selim e os freios. Alguns não originais, mas, todos da época e muito semelhantes.

Achei ainda no www.ebay.com o câmbio dianteiro original, novinho.

Para completar, depois de muito pesquisar por imagens para fazer novos adesivos, achei a cyclomondo.net. Depois de algumas dezenas de emails trocados com o Greg, consegui que se adequasse e se mesclasse alguns dos kits disponíveis, para ficar como o da Peugeot brasileira original. Para resumir, acabei optando por uma restauração parcial, já que preferia os aros novos, aero, de alumínio. Guardei os aros antigos para caso resolva depois por uma restauração completa.

O RESTAURO
E saí à caça do que faltava. Separei todas as peças por grupo (um saquinho para movimento central, outro para câmbio traseiro e assim por diante) e separei todos os parafusos que deveriam ser substituídos, dentro de envelopes com sua respectiva localização.

Fotografei a desmontagem, colocando peças na sequência, para depois acertar na montagem. Lavei, limpei, poli peça por peça, anel por anel (usando sapólio, Bombril, fibras de limpeza, polidores, microretífica e lixa d’água) até chegar à conclusão que pedivelas, coroas, canote, mesa de guidão, parte do câmbio traseiro, bacias da caixa de direção, anéis dos passadores de marchas precisariam ser cromados.

O pedivela depois de cromado

Cheguei a um novo problema, pois não existe cromação em João Pessoa. Acabei achando a Oficina Cromo Azul, em Recife (PE), e combinei tudo por telefone (81 3428-2950). Eles não tinham e-mail e nem conta em banco. Mandava junto com as peças o dinheiro para pagamento e o valor para retorno pelo correio.

Fui umas dezenas de vezes à lojas de parafusos, para achar um a um parafusos iguais aos originais, só que em inox.

E mandei quadro, garfo e guidão (que optei por não cromar, já que seria coberto pela fita de guidão) para jateamento e pintura no Enélio (83) 8801-0235.

O filho de Paulo e a bike já pronta

Nesse meio tempo, descobri que algumas peças pequenas não poderiam ser recuperadas, e não achei alguns parafusos, criando nova lista de peças para cromação. Fiz eu mesmo umas arruelas de nylon dos passadores de marcha, que não existiam.

Finalmente, quase seis meses depois de iniciar o processo, consegui, em fim de fevereiro, montar a minha bicicleta.

Iniciei remontando câmbio traseiro, canote ao selim, pedais aos firma-pés, pedivelas às coroas etc. Pendurei o quadro em ganchos protegidos e, munido de ferramentas, graxa branca, vários panos e luvas de malha, procedi à montagem final.

Levei depois à oficina Ciclo Rio (83) 3224-6673), onde o Elymar, que me deu dicas durante todo o processo, aplicou a fita de guidão e deu a regulada final. No final, a brincadeira ficou em cerca de R$ 2 mil, mas valeu muito a pena.

No belo suporte de madeira

Em 2019, resolvi fazer um suporte para a magrela e deixá-la na sala. Notei então que depois de sete anos sem cuidado, precisava de uma nova restauração.

Novamente troquei câmbios dianteiro e traseiro, blocagens, cromação de canote, pedivelas, coroas, pedais e pequenas peças, desta vez na www.cromoazul.com.br, no Recife. E novamente com Enélio, jateamento e pintura de pontos de ferrugem, além de substituição de adesivos do tubo inferior do quadro.

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