Portela já treina com nova bike em busca do recorde de 250km/h

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Portela já treina com nova bike em busca do recorde de 250km/h

Quadro é feito com tubos de aço-carbono com uma distância entre eixos de 48 polegadas (1,23m); bike tem rodas de aro 26 e pesa 24 quilos

Portela e a nova bike com a qual vai buscar o novo recorde na Bolívia

Marcos Adami/Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O ciclista paranaense Evandro Portela dá mais um passo importante em busca do novo recorde de velocidade de 250km/h. A primeira versão da bicicleta que o atleta de 43 anos vai usar na pista de sal na Bolívia já está pronta.

A bike foi desenvolvida e fabricada na Overall Quadros, em Itajaí, SC. O quadro é feito com tubos de aço-carbono com uma distância entre eixos de 48 polegadas (1,23m). “Por ser mais comprida, ela estabiliza mais no chão, como um carro de corrida do tipo dragster”, explica Portela.

A bike tem rodas de aro 26 e pesa 24 quilos. “Em altíssima velocidade o peso é uma vantagem”, explica Portela que, no dia 17 de novembro de 2017, entrou para o Guinness Livro dos Recordes como o ciclista mais rápido do mundo a pedalar sem reboque e cravar 202km/h em uma estrada federal em Curitiba, PR.

Uma outra versão com rodas de aro 20 e com a mesma geometria já está em processo de fabricação. “Quanto menor a roda mais fácil de dominar a bike em alta velocidade”, explica.

Logo no primeiro treino Portela chegou facilmente aos 126km/h. “A bike embala bastante e cheguei a essa velocidade com apenas 156bpm de frequência cardíaca. Em 2016 e 2017, com a bike de aro 700, para esta mesma velocidade, meu coração estava a 180bpm”, relata Portela.

Diferente do recorde de 2017, quando o ciclista usou uma bike de linha montada com uma enorme coroa de 105 dentes, desta vez, para buscar o objetivo de 250km/h, Portela desenvolveu um sistema de transmissão para multiplicar cada pedalada. Para isto, do lado direito há uma coroa de 56×20 e do lado esquerdo um outro conjunto de coroa pinhão 73×14. Com esta relação de 129×14, o andamento é de 24 metros por pedalada. Um giro no pedivela equivale a 12 voltas na roda. “Pode ser que eu aumente esta relação”, antecipa o ciclista.

O sistema criado por Portela utiliza coroas também do lado esquerdo

O pedivela tem braços de 175mm (BCD 130) e as coroas especiais foram produzidas pela empresa paulista Notable Metalworks.

“A caixa do movimento central e as soldas são criação minha e de meu torneiro mecânico. Já fiz uns treinos e a geometria deu certo. A bike embala bastante, mas temos que modificar algumas coisas”, conta.

As primeiras pedaladas com a nova bike foram promissoras. “A bike embala bastante. Ganhamos tempo e estabilidade.”

A nova bike é mais longa e pesa 24kg

A bicicleta tem um freio a disco hidráulico na dianteira, com um grande rotor utilizado nas bikes de downhill. Outra solução do downhill é a suspensão, uma Marzocchi 888. A bike usa rodas de downhill, com aros largos, que suportam até 80 libras de pressão. Os pneus serão Continental Pro Contact de cravos médios. Nos treinos no asfalto o ciclista usa pneus Levorin, de arame.

O guidão também é de downhill, instalado em uma posição mais baixa para ajudar na aerodinâmica. A posição de pedalada se assemelha a de uma moto de corrida, para cortar o vento. “Já fiz alguns treinos com ela. Vamos testar a suspensão nova. Uma série de adaptações são feitas a cada treino”, conta.

A bike é muito pesada par arrancar e a pista de sal, com 30km, em Uyuni no altiplano boliviano é muito longa. Embalar uma bike de 24kg com uma relação pesadíssima de 129×14 dentes não é tarefa fácil e um cubo traseiro Shimano Nexus de 8 velocidades foi instalado na roda traseira para facilitar na tarefa de levar a bike até 60km/h quando o ciclista vai entrar no vácuo de um carro com motor de alta potência (ao redor dos 500 cavalos) equipado com uma carenagem e pedalar até a velocidade desejada para o novo recorde. “O carro ainda não definimos. A carenagem será desenvolvida por dois engenheiros”, explica.

O próximo passo importante em busca do recorde de 250km/h é fazer pelo menos dois treinos no Salar de Uyuni a partir de junho deste ano.

“Os planos eram de já ter realizados estes treinos na Bolívia em setembro do ano passado, mas tivemos a pandemia e as fronteiras se fecharam. Por um lado foi até bom, pois teremos mais tempo para captar recursos, já que tenho um projeto federal aprovado”, explica o ciclista, que conta com 12 apoiadores com contrato assinado. “Entrarão mais seis marcas com o projeto federal”.

Portela explica que até o momento ninguém tentou superar o recorde de 202km/h registrado em 2017. “Não é fácil conseguir permissão para pedalar em uma rodovia pública. Sou o único que fiz em via pública”, explica. Nas rodovias que cortam a região da capital paranaense, é normal para Portela treinar a velocidades de 140-150km/h. “Vamos peitar o mundo e buscar o novo recorde no deserto de sal”, garante Evandro Portela.

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