Tóquio: conheça os ciclistas da Equipe Olímpica de Refugiados

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Tóquio: conheça os ciclistas da Equipe Olímpica de Refugiados

O sírio Ahmad Baddredin Wais e a afegã Masomah Ali Zada vão disputar provas de ciclismo de estrada nos Jogos de Tóquio

O sírio Ahmad Baddredin Wais vive na Suíça e já disputou 4 mundiais de crono

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou esta semana os atletas que vão integrar a Equipe Olímpica de Refugiados nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2021. Os 29 atletas de 11 países foram definidos pelo Conselho Executivo do COI a partir de um grupo inicial de 55 bolsistas.

Durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos de Tóquio 2020, no dia 23 de julho, a equipe entrará no Estádio Nacional do Japão com a bandeira Olímpica na segunda posição, imediatamente após a equipe da Grécia, que tradicionalmente abre o desfile.

A equipe ficará na Vila Olímpica juntamente com todos os 206 Comitês Olímpicos Nacionais e continuará recebendo apoio do COI após os Jogos. Para todas as representações oficiais da equipe (incluindo possíveis cerimônias de medalha), a bandeira Olímpica será hasteada e o hino Olímpico será tocado.

Entre atletas de várias modalidades estão dois ciclistas de estrada: o sírio Ahmad Baddredin Wais e a afegã Masomah Ali Zada.

FORÇA NA CRONO
Badreddin Wais nasceu em 1991 em Aleppo, na Síria, e vive na Suíça desde 2014. Ele começou no ciclismo aos 14 anos, quando mudou para Damasco e se juntou à equipe nacional.

Após o início da guerra, Wais deixou a Síria (via Turquia) para morar com amigos da família, em Lausanne. Na Suíça, continuou a treinar e se mudou para Hindelbank, próximo a Bern.

Desde que deixou a Síria, disputou quatro edições do Mundial de Ciclismo (2017 a 2020) na prova de contrarrelógio. Ele também foi convidado a competir no campeonato nacional da Suíça e terminou na 17ª posição.

RAINHAS DE CABUL
A afegã de minoria hazara Masomah Ali Zada fugiu de seu país com sua família para o Irã ainda na infância, onde aprendeu a pedalar junto com sua irmã. Anos depois, retornou ao Afeganistão e começou a praticar o ciclismo competitivo, apesar da reprovação e ameaças que recebia dos grupos conservadores. Zada chegou a ser atropelada deliberadamente por um motorista e seu técnico foi ameaçado de morte.

A afegã Masomah Ali Zada vive na França desde 2016

Em 2016, um advogado francês aposentado viu o documentário “As pequenas rainhas do Cabul” e se sensibilizou com a história das irmãs. A dupla foi convidada pela embaixada da França para disputar uma prova feminina do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2016.

Communal solicitou um pedido de visto humanitário ao seu país e conseguiu que ambas permanecessem na França.

As irmãs Ali Zada e uma outra ‘Pequena Rainha de Cabul’, Frozan Rasooli, conseguiram entrar para a Universidade de Lille, como parte de um programa especial para refugiados. O trio mora em Lille, no Norte da França, e a família Ali Zada em Orleans.