Novos Shimano Dura-Ace e Ultegra: agora só Di2 e com 12 velocidades

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Novos Shimano Dura-Ace e Ultegra: agora só Di2 e com 12 velocidades

Grupos top de linha de estrada são disponíveis apenas na versão eletrônica Di2 e finalmente ganharam 12 velocidades

Os grupos top de linha Dura-Ace e Ultegra dão adeus às trocas de marchas mecânicas

Do Bikemagazine
Texto de Gabriel Vargas
Fotos de divulgação Irmo Keizer

Após muita especulação e espera a Shimano apresenta a nova versão do icônico grupo Dura-Ace. O R9200 é a 13ª geração da linha superior da marca japonesa que completa mais um capítulo em seus 48 anos de história. Além do Dura-Ace, a Shimano revelou também o novo grupo Ultegra R8100.

Os lançamentos revelam claramente a confiança e a aposta da marca nos câmbios eletrônicos, já que pela primeira vez um grupo de estrada é lançado apenas com a opção eletrônica, aposentando de vez as versões com trocas de marchas mecânicas nos grupos top de linha da marca.

 

Demorou – e muito – mas finalmente a Shimano apresenta ao mundo seu grupo de estrada de 12 velocidades. A inovação chegou com muito atraso ao gigante japonês. A italiana Campagnolo oferece grupos de 12 velocidades (com trocas mecânicas) desde 2018 e o eletrônico EPS chegou ao mercado em 2019. Em 2020 a marca lançou o Campagnolo Ekar, com 13 velocidades (mecânico), destinado ao público gravel. Já a norte-americana Sram dispõe de grupos eletrônicos de 12 velocidades para estrada desde 2019.

Os novos grupos têm como principais novidades as 12 velocidades (contra 11 nas duas gerações anteriores) e o uso de componentes wireless – embora os grupos não sejam 100% sem fio, como veremos adiante. Ambos são exclusivamente eletrônicos, Di2. Ou seja, não existirão os novos Dura-Ace e Ultegra com câmbios mecânicos, mas a empresa vai manter os freios tradicionais tipo ferradura, notícia que agrada a muitos ciclistas amadores e profissionais.

Outra boa notícia é que os novos cassetes de 12 velocidades podem ser utilizados com os atuais cubos compatíveis com 11 velocidades. Ou seja, é possível realizar o upgrade para os novos grupos sem a necessidade de trocar a roda ou o freehub.

Os trocadores foram redesenhados; a conexão é wifi mas os fios foram mantidos

Wireless, mas com fios
Nos novos grupos R9200 e R8100, os câmbios traseiro e dianteiro continuam conectados por fio a uma bateria única (normalmente instalada no canote), mas o comando de troca de marchas pode ser tanto wireless quanto via cabo.

Segundo a Shimano, o sistema wireless permite uma comunicação ágil entre os componentes, que chega a ser 58% mais rápida que a versão anterior – estamos falando de pequenas frações de segundo – enquanto a conexão por cabo tem a vantagem de ampliar significativamente a duração da bateria.

Caso o usuário queira, é possível manter a conexão via cabo, mas com o sistema funcionando wireless. Caso o Di2 perceba alguma interferência ou perda na comunicação, ou caso a bateria dos STIs acabe, a troca passa automaticamente a ser realizada via conexão com cabo.

Aparentemente, essa é uma característica desejada por ciclistas profissionais em situação de prova. Como esperado, o STI é compatível com botões satélites.

Detalhe do novo trocador com led indicador e botões táteis

Todos os sistemas serão controlados no câmbio traseiro RD-9250 ou RD-8150, inclusive o módulo de junção, os LEDs indicadores e a entrada do cabo carregador. Ou seja, todos esses componentes passam a ser integrados no câmbio traseiro, que utiliza comunicação Bluetooth e ANT+. Além disso, o câmbio passa a suportar cassetes de 34 dentes. Já o câmbio dianteiro está mais compacto e leve tanto no Dura-Ace quanto no Ultegra.

Os STI utilizarão baterias CR1632, com duração esperada entre 1,5 a 2 anos, num cenário de média de 2h de uso diário, com 50 trocas do câmbio dianteiro e 300 no câmbio traseiro.

Segundo a Shimano, a vantagem da bateria interna é a robustez e segurança do sistema, especialmente em caso de quedas durante provas, além da maior capacidade da bateria.

Diferença nos detalhes
O novo STI ST-R9250 para disco hidráulico apresenta uma série de diferenças ergonômicas significativas tanto no corpo da peça, que permite uma melhor “pega”, quanto nos botões, maiores e mais táteis.

Há também o ajuste Free Stroke que permite deixar o acionamento do freio mais alto ou mais baixo e o ajuste Servo Wave Action que permite personalizar a progressão e a modulação da frenagem ao longo do curso do acionamento da alavanca de freio. Tais ajustes já estão presentes na linha de mountain bike. Outra novidade é a possibilidade de sangria diretamente nas pinças, que facilita muito a manutenção.

As novas pinças de freio permitem uma sangria mais fácil

Os STI para freio ferradura, assim como os próprios freios para aro, provavelmente são os mesmos das linhas anteriores R9100 e R8000, mas não são wireless e a troca de marchas depende de conexão via cabo assim como nos Di2 já existentes.

Relação tradicional
O novo grupo Dura-Ace possui as opções de coroas 50-34, 52-36 e o novo 54-40. No cassete, foram mantidas as opções 11-28 e 11-30, além do novo 11-34. Com a inclusão do pinhão de 16 dentes no cassete, o escalonamento torna-se mais gradual ao longo das marchas. Já o Ultegra terá somente opção de coroas 50-34 e 52-36 e cassetes 11-30 e 11-34. Assim como no novo Dura-Ace, o cassete Ultegra CS-R8100 de 12 velocidades pode ser utilizado em cubos de 11 velocidades.

Detalhe do pedivela Ultegra com linhas mais retilíneas

Os novos pedivelas têm linhas mais retilíneas, mas as novidades são apenas estéticas, já que toda a estrutura e a funcionalidade mantém as características das linhas prévias. Resta saber se os novos pedivelas apresentam alguma novidade na construção, após os conhecidos casos de quebra do braço que vem assolando os pedivelas Ultegra e Dura-Ace mais recentes. Segundo informações prestadas pela Shimano, não há previsão para disponibilidade dos pedivelas com medidor de potência para a América Latina.

Opções de rodas
Tanto a linha Dura-Ace quanto Ultegra possuem, agora, três modelos de rodas. Cada grupo terá sua versão da C36, mais leve, da C50, mais versátil, e a nova C60_HR, como foco em maior aerodinâmica e, sobretudo, com rigidez diferenciada para a demanda de altíssima potência de sprinters e também para ciclistas mais pesados. A C60 possui mais raios no lado do rotor no cubo dianteiro e raios 1.8 mm (contra 1.5 mm na C36 e C50).

As rodas são exclusivas para freios a disco

Na linha Dura-Ace, todas as novas rodas só existem na versão versão clincher/tubeless para freios a disco. A opção para freios a aro é somente para rodas tubulares. Na linha Ultegra, por outro lado, há somente as opções para clincher/tubeless com freio a disco.

Preço e disponibilidade
É esperado que o grupo chegue ao mercado brasileiro na virada de 2021 para 2022. O prazo envolve a certificação nacional para produtos com comunicação wireless e complicações globais envolvendo logística e estoque que andam afetando especialmente o setor nos últimos anos.

Segundo a Shimano, o preço será o mesmo da linha atual. No momento, a tabela indica R$ 25 mil para o Ultegra e R$ 40 mil para o Dura-Ace (transmissão e freios a disco, sem as rodas).

Resumo da história do grupo Dura-Ace

  • 1973: O primeiro Dura-Ace, todo construído em alumínio, é lançado para rivalizar com o recém-chegado Campagnolo Super Record. O Dura-Ace Pro possuía 5 ou 6 velocidades e havia uma versão Touring com 5 velocidades;
  • 1977: Dura-Ace 7100. A segunda geração apresentava pequenas diferenças nas coroas e em outros detalhes;
  • 1978: Dura-Ace EX 7200. Otimizado para o uso de 6 velocidades, o novo grupo introduziu o revolucionário conceito de cassete e freehub (no lugar das catracas de rosca);
  • 1980: Dura-Ace AX 7300. Os componentes tinham uma pegada mais aerodinâmica e com construção refinada e foi o grupo responsável pelo início do crescimento da Shimano como uma potência mundial em componentes para ciclismo;
  • 1984: Dura-Ace 7400. A introdução do Shimano Index System (SIS) consolidou a Shimano e trouxe a grande novidade do câmbio indexado. Inicialmente possuía seis velocidades. Em 1990, o grupo “cresceu” para sete e oito velocidades e recebeu o primeiro STI (antes as trocas eram por alavancas), uma das inovações mais relevantes do ciclismo. Nessa mesma época, vários outros componentes foram renovados, como os freios de pivô duplo, câmbios redesenhados etc., mas logo vieram versões de sete e oito velocidades.;
  • 1993: Dura-Ace 7410. Embora ainda seja tecnicamente a linha 7400, essa atualização trouxe alterações significativas em seus componentes e era praticamente um grupo totalmente novo;
  • 1996: Dura-Ace 7700. Nenhuma revolução técnica, apenas um refinamento geral no desenho, na construção e a introdução do sistema Octalink. O grupo possuía nove velocidades e foi concebido para ter acionamento leve e ágil. É até hoje considerado por muitos como uma das linhas de componentes mais belas da história do ciclismo. Em 1998, foi lançada a clássica edição de aniversário de 25 anos;
  • 2004: Dura-Ace 7800. Com 10 velocidades, pedivela integrado ao eixo do movimento central com braços ocos e muito mais rígido que os anteriores, um STI com visual bastante diferente e muito mais ergonômico. Foi um dos grupos que incluía maior carga de novidades na história de lançamentos da Shimano;
  • 2008: Dura-Ace 7900. A segunda geração com 10 velocidades era um refinamento da versão anterior e apresentava os cabos totalmente ocultos do STI e as coroas ocas, além de uma redução de peso razoável. E claro, foi o grupo que, em 2009, teve a primeira versão eletrônica, o Dura-Ace 7970 Di2;
  • 2012: Dura-Ace 9000 e 9070 Di2. O belíssimo grupo que trouxe as 11 velocidades para a Shimano apresentou também as coroas de 4 braços e os STI mais compactos;
  • 2016: Dura-Ace R9100 e R19150 Di2. Amplas novidades no setor eletrônico e a chegada dos freios a disco hidráulicos na família, além da opção de pedivela com medidor de potência. Trouxe também cassete de até 30 dentes, cada vez mais usado entre os profissionais em provas com subidas;
  • 2021: Dura-Ace R9200. O novo grupo introduz as 12 velocidades e utiliza tecnologia wireless em suas trocas de marcha. Pela primeira vez na história, a Shimano deixa de oferecer um grupo de estrada com trocas mecânicas e passa a ser somente eletrônico.

Mais informações no site shimano.com