Contador cumpre promessa e pedala 1.600 km até Milão

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Contador cumpre promessa e pedala 1.600 km até Milão

Espanhol, acompanhado por um grupo com mais nove ciclistas, encerrou o desafio no sábado após muitos desafios, montanhas e chuvas

Contador e seu grupo na jornada de Madri a Milão

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Enquanto o novato Lorenzo Fortunato, da equipe Eolo-Kometa, criada por Alberto Contador e Ivan Basso, estava no caminho da vitória na etapa ao Zoncolan, na 14ª etapa do Giro d’Itália, no dia 22 de maio, o espanhol prometeu, em um vídeo postado nas redes sociais, que, se o italiano vencesse, ele iria a Milão de bicicleta.

Fortunato venceu e os fãs do “Pistolero”, que se retirou do ciclismo profissional em 2017, ficaram esperando a promessa ser cumprida. Contador reuniu um pequeno pelotão com um grupo de nove amigos, separou as bikes Aurum, sua nova marca de bicicleta, e dividiu a distância entre Pinto, onde vive, e Milão, em seis etapas.

“Foi difícil, foram quase 1.600 quilômetros em seis dias, mas surpreendentemente fizemos relativamente bem. A primeira parte foi contra o vento, o que te faz ir mais devagar. Os furos também nos penalizaram muito. Choveu e com a sujeira no acostamento havia dias com até 12 furos, o que te faz começar e parar, começar e parar, foi enlouquecedor”, contou Contador.

 

A promessa começou a ser paga no dia 13 de setembro, com duas fronteiras a serem superadas, muitas montanhas e vontade de se divertir. “Alberto não foi ao Giro porque estava com Covid, então torceu pela TV. Gravou aquele vídeo que deu a volta ao mundo, fazendo a promessa. Nosso objetivo no Giro era ambicioso para uma equipe profissional jovem como a nossa: vencer uma etapa. Conseguimos”, contou Basso.

“O grupo escolhido para acompanhar Alberto é muito organizado. Eles têm um carro de apoio para cada necessidade e planejaram tudo, desde hotéis até lugares para parar”, completou Basso.

Chegada em Milão

A jornada começou até Zaragoza, com 368 quilómetros percorridos em 10 horas e 39 minutos, na segunda-feira (13 de setembro) . “Foi um dos melhores dias que passei de bicicleta”, definiu Contador. Depois, foi a vez de superar 275,9 quilômetros, de Zaragoza a La Seoul d’Urgell, na terça-feira. Foram oito horas e meia de pedaladas, atravessando os Pirineus, perto de Andorra. “Um dia duro, com muita chuva”, disse o espanhol.

Na quarta-feira, após pouco mais de 10 horas e 315 quilômetros percorridos, o grupo chegou a Montpellier. O dia foi desafiador, mas o próximo seria muito mais. Contador contou que, entre Montpellier a Gap, o grupo viveu uma verdadeira odisseia. Houve um momento em que até tiveram que carregar as biciletas. “Planejamos uma coisa e aconteceu outra coisa. Uma parte da estrada estava em obras e não havia escolha a não ser carregar as bicicletas, era a única opção”, lembra.

Na quinta-feira, mais 265 quilômetros concluídos e, na sexta-feira, outros 195 quilômetros, quando atravessaram a fronteira entre a França e a Itália. “Apesar da chuva que nos acompanhou, pude desfrutar de paisagens e lugares por onde passei muitas vezes em competições e nunca tinha notado”, comentou.

No total, foram 1563,9 quilômetros percorridos. Confira no Strava

Selfie com os colegas da jornada

No sábado, faltavam somente 145 quilômetros para a meta, em Milão. Ao chegar à Piazza del Duomo, que recebe o encerramento do Giro d’Italia, Contador comemorou. “Chegamos, é impressionante, saímos há seis dias e parece que se passou um mês. Foram dias difíceis. No mesmo dia, você passa de um estado de espírito para outro quatro ou cinco vezes”.

Durante o trajeto, Contador e o grupo receberam a companhia de muitos amigos, como Ángel Vicioso, que os acompanhou numa parte da viagem até La Seu de Urgell. Em Andorra, chegaram Joaquim Purito Rodríguez e Aleix Espargaró. No outro dia, Jesús Hermida alegrou o grupo ao aparecer com pãezinhos de chocolate para todos.

No último dia, a chegada triunfante a Milão foi ao lado do colega e sócio Ivan Basso, que aproveitou a ocasião para fazer uma nova promessa: “Se vencermos duas etapas no próximo Giro d’Italia com a Eolo-Kometa, melhorando o resultado deste ano, farei como Alberto, mas no caminho contrário. De Milão a Madrid em seis etapas.” O desafio está lançado.

Este não foi o primeiro desafio do Pistolero depois de deixar o ciclismo profissional .Em julho do ano passado, Contador completou o Everesting. Relembre aqui