Flanders 2021: Alaphilippe é bicampeão mundial com ataque solo

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Flanders 2021: Alaphilippe é bicampeão mundial com ataque solo

Alaphilippe, o primeiro francês a vencer o Mundial dois anos seguidos, atacou a 20 km da meta e cruzou sozinho com 32 segundos de vantagem

Alaphilippe conquista vitória solo em Flanders

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/UCI

O francês Julian Alaphilippe venceu neste domingo (26 de setembro) pelo segundo ano seguido o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada, disputado em Flanders, na Bélgica. O francês conquistou vitória solo com 32 segundos de vantagem depois de um forte ataque a 20 quilômetros da meta. O holandês Dylan van Baarle terminou em 2º e o dinamarquês Michael Valgren Hundahl foi o 3º.

“No ano passado foi a realização de um sonho, imagine minha alegria neste momento. A alegria é ainda maior”, comemorou Alaphilippe, que se tornou o primeiro francês a vencer a camisa arco-íris dois anos seguidos. “Senti que as pernas estavam ótimas e fui com tudo. Pensei no meu pequenino no final”, contou o francês, referindo-se ao filho que nasceu há poucos meses .

 

A corrida, com 268,3 km de percurso, foi emocionante. Multidões acompanharam o pelotão ao longo do trajeto. A torcida belga, na esperança de ver uma de suas estrelas, como Wout van Aert ou Remco Evenepoel, no primeiro lugar do pódio, fez uma festa memorável, como há muito não se via.

Alaphilippe começou sua ofensiva a quase 200 km do final, com o primeiro de vários ataques da seleção francesa. O próprio Alaphilippe atacou a 58 km do final e conseguiu quebrar o grupo escapado, que tinha nomes fortes, como Van Aert, o holandês Mathieu van der Poel e o italiano Sonny Colbrelli.

No percurso em Flanders

Mas foi nas duas voltas e meia finais do circuito de chegada em Leuven que Alaphilippe, duas vezes, mostrou que estava no caminho de defender seu título mundial. Nas duas vezes, o seleto grupo respondeu. Mas, na terceira vez, a 20 km da chegada, na subida de Antoniusberg, o francês impôs um ritmo forte e ninguém conseguiu responder. A partir daí foi uma corrida de um homem só. Sem saber quanto tempo tinha de vantagem, já que no Mundial não é permitido o uso de rádio, Alaphilippe seguiu firme e forte em direção de seu objetivo.

No grupo perseguidor, Van Baarle, Valgren e o único belga com chance de medalha, Jasper Stuyven, que perdeu o bronze no Photo Finish, tentavam diminuir a diferença, mas era tarde demais.

“A vontade de vencer me trouxe até aqui, sabia que estava bem nas últimas semanas. Fomos protagonistas desde o início, atacamos, fizemos uma seleção e depois tentei de novo. Quando eu decolei não sabia se conseguiria chegar lá, eu realmente fiz força para continuar. Os fãs belgas não foram muito simpáticos comigo, mas isso me deu ainda mais motivação”, contou Alaphilippe.

Atrás, favoritos como Van Aert, 11º colocado, Van der Poel, 8º colocado e Sonny Colbrelli, 10º colocado, ainda viram o jovem britânico Tom Pidcock escapar nos últimos quilômetros para cruzar em 6º.

Fãs lotaram o percurso

A prova começou com um ataque de Rory Townsend (Irlanda), que não vingou. Nos primeiros 10 quilômetros o pelotão permaneceu compacto mas, eventualmente, um grupo escapou, novamente com Townsend, acompanhado de Jose Tito Hernandez (Colômbia), Joel Burbano (Equador), Pavel Kochetkov (Federação Russa de Ciclismo), Patrick Gamper (Áustria), Oskar Nisu (Estônia), Kim Magnusson (Suécia) e Jambaljamts Sainbayar (Mongólia), que chegou a abrir 6 minutos.

Ethan Hayter (Grã-Bretanha) caiu antes da primeira escalada, e, logo depois, Matteo Trentin (Itália), Davide Ballerini (Itália) e Mads Pedersen (Dinamarca) colidiram na parte de trás do pelotão.

A 200 km da meta, a França lançou então seu primeiro ataque. Benoît Cosnefroy acelerou na primeira subida do Smeysberg, quando a corrida entrou no circuito de Flandrien. Remco Evenepoel e Magnus Cort (Dinamarca) se juntaram a ele, e uma lacuna surgiu quando a Bélgica bloqueou o caminho do pelotão na escalada estreita de paralelepípedos. Eles permaneceram na frente enquanto, atrás, a corrida começava a ficar movimentada.

Primeiro, o pelotão se dividiu em um trecho plana e exposto. Na subida Taymanstraat, a 174 km do final, Stefan Bissegger (Suíça) atacou e a Itália, que ficou para trás, começou a trabalhar forte para encostar.

Evenepoel teve forte presença

Após 40 quilômetros de perseguição, o pelotão finalmente alcançou o grupo na primeira volta do circuito de Leuven, e a fuga inicial também foi neutralizada. Com a corrida reagrupada, desta vez em estradas largas e planas, os ataques começaram fortes.

A 92km da chegada, um grupo com Evenepoel, Andrea Bagioli (Itália), Ivan Cortina (Espanha), Valentin Madouas (França), Rasmus Tiller (Noruega), Robert Stannard (Austrália), Mads Schmidt (Dinamarca), Jan Tratnik (Eslovênia), Dylan Van Baarle (Holanda), Nils Politt (Alemanha) e Nielsen Powless (EUA) pegou a ponta. A diferença chegou a 40 segundos na entrada do circuito de Flandrien. O ritmo era tão forte que 90 dos 195 ciclistas que largaram já tinham abandonado.

Nas subidas mais longas do circuito de Flandrien, vários ataques foram lançados e Alaphilippe acelerou, com Van Aert na sua roda, enquanto o três vezes campeão Peter Sagan (Eslováquia) perdia contato.

Como a vantagem era de apenas 15 segundos, Evenepoel tomou a dianteira pra aumentar a diferença. Alaphilippe voltou a atacar no Smeysberg, mas foi apanhado pouco depois. Para impedir novos ataques, Evenepoel aumentou ainda mais o ritmo e manteve-se na frente até 25 quilômetros da chegada, até que esgotou sua energia. Van Aert e a Bélgica ficaram vulneráveis ​​a ataques e foi aí que Alaphilippe viu sua oportunidade.

Na subida dos Wijnpers, repleta de bandeiras, Alaphilippe atacou novamente, forçando Van Aert a responder. Esta segunda tentativa também não deu certo, mas a terceira seria certeira. A 20 km da meta, o francês escapou e foi em busca de sua segunda camisa arco-íris, que ele honrou muito bem durante a temporada 2021.

Pódio do Mundial 2021

TOP 10
1 Julian Alaphilippe (França) 5:56:34
2 Dylan van Baarle (Holanda) 0:00:32
3 Michael Valgren Hundahl (Dinamarca) m.t.
4 Jasper Stuyven (Bélgica) m.t.
5 Neilson Powless (Estados Unido) m.t.
6 Thomas Pidcock (Grã-Bretanha) 5:57:23
7 Zdenek Stybar (República Tcheca) 5:57:40
8 Mathieu van der Poel (Holanda) 5:57:52
9 Florian Senechal (França) m.t.
10 Sonny Colbrelli (Itália) m.t.

Mundial de Ciclismo de Estrada 2021 – de 19 a 26 de setembro

Contrarrelógio – Knokke-Heist – Bruges
Contrarrelógio elite masculino – 43,3 km – Felippo Ganna é bicampeão
Contrarrelógio sub-23 masculino – 30,3 km – Vitória do dinamarquês Price-Pejtersen
Contrarrelógio elite feminino – 30,3 km – Ellen van Dijk é a campeã
Contrarrelógio junior – Dinamarquês Gustav Wang e russa Alena Ivanchenko vencem na Junior 
Contrarrelógio de revezamento misto – Alemanha é ouro na despedida de Tony Martin

Estrada
Vinicius Rangel é 9º na Sub 23; Victor Cesar estreia na Junior em 56º 
Italiana Elisa Balsamo, de 23 anos, bate Marianne Vos é a campeã da Elite

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