Número de bicicletas em Paranaguá aumentou 17% na pandemia

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Número de bicicletas em Paranaguá aumentou 17% na pandemia

Cidade com mais bicicletas do Sul do Brasil tem 84% da população com uma bicicleta para passear ou como principal meio de transporte

Equipe do grupo Ceará Bikes formado após a pandemia e que já disputa campeonatos pelo Brasil

Do Bikemagazine
Texto de Luciane Chiarelli

Em 2019, quando nem se imaginava que haveria uma pandemia no meio do caminho, 115 mil pessoas tinham bicicleta em Paranaguá, município do Litoral do Paraná também conhecida como a cidade com mais bicicletas do Sul do Brasil.

Após um ano e seis meses do começo da pandemia, o número de bicicletas registra um aumento de 17%, chegando a 135 mil. Os números são confirmados pela equipe de engenharia de tráfego da Superintendência de Trânsito do Município (Sumtran) da Prefeitura de Paranaguá. Com uma população estimada em 160 mil habitantes, a cidade tem 84% da população andando sobre duas rodas.

Para se ter uma ideia, o aumento de carros no mesmo período foi de 5% e os atuais 39 mil carros representam 24% da população total. Dos 84%, estima-se ainda que pelo menos metade tenha a bicicleta como o principal meio de transporte. É o caso da Camila Rocha Bock, moradora da Ilha dos Valadares (bairro com população superior a muitas cidades brasileiras- com cerca de 30 mil habitantes). Ela e o marido têm bicicleta e usam para se locomover na cidade e dentro do próprio bairro que é ligado ao continente por uma passarela.

“A bicicleta é nosso meio de transporte. Meu pai e meu irmão também usam para trabalhar e eu uso direto também seja para ir à igreja, ao supermercado ou uma consulta médica”, confirmou Camila Bock que tem dois filhos pequenos e leva junto para onde for.

Aliás, é comum andar pela cidade e ver pai, mãe e filhos numa bicicleta só para levar o filho na escola, se deslocar para uma consulta médica, entre outras situações. A bicicleta também é usada para ir à igreja ou outros compromissos no dia a dia.

Também é usada como meio de transporte para se locomover até o trabalho como é o caso do Andrey Hikaro Barbosa, de 24 anos, que trabalha como assistente portuário em empresa privada que atua na zona portuária de Paranaguá. “Faça chuva ou faça sol é a bicicleta que a gente usa pra tudo”, disse.

Dos 84% da população sobre duas rodas, acredita-se que a maioria atue direta ou indiretamente nas atividades portuárias. É comum chegar próximo ao Porto Dom Pedro II- o maior por graneleiro da América Latina e segundo maior porto do Brasil – e encontrar bicicletários lotados.

Todo este cenário retrata bem o papel que a bicicleta tem no desenvolvimento econômico e industrial do País, pois muitas cidades brasileiras registraram aumento do uso da bicicleta, especialmente, durante a pandemia da Covid-19. Influência sobre outros segmentos Ao que tudo indica, o aumento de bicicletas em Paranaguá parece influenciar outros segmentos.

O número de bicicletarias, por exemplo, teve aumento de 18,64%. De acordo com o levantamento feito pela secretaria da Fazenda de Paranaguá eram 59 espaços destinados, exclusivamente para bicicletas, em 2019 e o número passou para 70 neste ano.

Revisões, trocas de peças e limpeza sāo serviços indispensáveis para garantir o bom funcionamento da “magrela”. Assim como carros e motos, as bicicletas também precisam de manutenção.

Além deste segmento, o aumento de bicicletas em Paranaguá fez crescer o cicloturismo e o ciclismo urbano. Cícero Dias dos Santos, que atua como inspetor de auditoria e bem conhecido na cidade como Ceará, não andava de bicicleta. Ele praticava, com alta frequência, o futebol, mas a pandemia acabou interferindo na realização dos esportes coletivos e dos campeonatos de futebol amador. “Precisava me encaixar em um esporte para manter a saúde física e mental”, lembra.

E foi em abril de 2020 que ele começou a praticar o ciclismo, junto com mais alguns amigos. Foi, então, montado o grupo ‘Ceará Bikes’, para pedalar nos finais de semana com amigos e familiares. Hoje o grupo conta com a participação de 18 amigos que aderiram ao ciclismo urbano e logo em seguida começaram a promover o cicloturismo, pois Paranaguá tem muitas trilhas em zonas rurais, sem contar as pedaladas pelas estradas até as praias mais próximas.

Atualmente, boa parte do grupo já está se aventurando nas competições de mountain bike. “E já conseguimos alguns pódios. Nosso grupo tem torcida e vem crescendo mais”, comemorou.

“Nesse período que estamos pedalando já conhecemos vários lugares, temos muitos trajetos trilhados, diferentes lugares de paisagens incríveis das cidades do Litoral do Paraná. Já pedalamos até Guaratuba, Pontal do Sul, Praia de Leste, Matinhos, Morretes que tem cachoeiras lindas, Antonina, fomos até o portal da Graciosa, Quintilha, Saquarema, Floresta, Arrastão, Alexandra, Colônia Maria Luíza e Morro, Fazenda Morro Holandesa, entre outros lugares que fazem parte da zona rural de Paranaguá e das cidades vizinhas”, completou Ceará.

Ele lembra que o primeiro pedal foi de 42 km até a Praia de Leste, balneário que faz parte do município de Pontal do Paraná. E o trajeto mais longo chegou a ser de 143 quilômetros. O Ceará Bikes é apenas um de vários outros grupos que foram formados por pessoas que aderiram ao esporte sobre duas rodas. “Realmente houve um grande aumento dessa atividade física após a pandemia ter surgido, pois muitos viram isso como válvula de escape, uma distração, uma saída da rotina, além de manter a saúde física e mental em ordem”, reforçou.

Todo este cenário ajuda a provar que a bicicleta, além de ser um meio de transporte sustentável e que colabora com o meio ambiente, também contribui para a qualidade de vida do ser humano.