Evandro Portela e a busca pelo recorde de 300 km/h

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Evandro Portela e a busca pelo recorde de 300 km/h

Ciclista paranaense se prepara para mais um desafio, desta vez no altiplano da Bolívia, a 3.600 metros de altitude

Portela e a bike que será usada no Salar de Uyuni, na Bolívia

Por Marcos Adami
Fotos de divulgação

O ciclista paranaense Evandro Portela se prepara para mais um desafio que pode escrever seu nome mais uma vez no Guinness, O Livro dos Recordes em outubro deste ano.

Depois de estabelecer o recorde mundial de velocidade de 202 km/h em 26 de novembro de 2017 em um trecho interditado da BR-277 próximo a Curitiba, desta vez Portela quer chegar a 300km/h no Salar de Uyuni, a 3.600 metros sobre o nível no mar, no altiplano boliviano. Diferentemente de outros ciclistas que rodam rebocados por um cabo atrás de um veículo, o brasileiro usa a força das próprias pernas para pedalar atrás de um carro de corridas.

Pedalar em altíssimas velocidades exige muito mais do que força e coragem.

“Eu venho estudando isto há 10 anos. Hoje temos 10 pessoas para um atleta. São cinco amantes do ciclismo de alto rendimento e outros cinco profissionais com formação que me auxiliam”, conta Portela, de 44 anos.

UYUNI
A tentativa de chegar a 300km/h (ou o mais próximo disto) estava inicialmente programada para o ano de 2020, mas com a pandemia o evento teve de ser adiado.

“Já me reuni com autoridades bolivianas aqui no Brasil. Em maio devo reconhecer o percurso e pegar os alvarás. Eu preciso de uma autorização da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e também do governo de Potosí, onde fica Uyuni”, explica Portela.

A bike já com as alterações em um dos testes de estrada

Já o alvará da FIA é necessário pois o ciclista será rebocado por um carro de corridas com um piloto devidamente homologado e equipado.

E por falar em carro, não é qualquer carro que chega a 300km/h e não é atrás de qualquer carro que o ciclista vai poder rodar com relativa segurança no vácuo.

Para o recorde de 2017, Portela teve a ajuda de engenheiros que construíram uma carenagem de policarbonato que foi instalada na traseira de um Subaru WRX com motor turbo de 350 cavalos.

Para o novo recorde, Portela está se decidindo entre uma camionete Chrysler Dakota V8 de Stockcar de 1.000 cavalos e um Chrysler 300C, com motor V8 6.1 de 700 cavalos Supercharger, ambos homologados pela FIA.

“Vamos testar daqui uns dias em uma rodovia aqui no Paraná. Vamos rodar a uns 180-170 km/h. A carenagem de policarbonato, desenvolvida em um túnel de vento em São Paulo, já está pronta”, explica.

A BIKE
Outro objetivo da ida à Bolívia é mostrar às autoridades daquele país a bicicleta que será usada no evento.
Para a pista de sal no maior deserto de sal do mundo, Portela trabalhou no projeto, desenvolvimento e na construção de uma bike especialmente criada para a tentativa de recorde.

A bike foi fabricada em Itajaí (SC) pela Overall

A bike foi construída pela Overall, de Itajaí (SC), e a primeira versão ficou pronta há mais de um ano.
Ela é feita em aço carbono, tem rodas aro 26 e pesa cerca de 24 quilos, e conta com um jogo de engrenagens que multiplica a força do ciclista. Fabricadas pela empresa Notable Metal Works, de São Paulo, o sistema tem uma relação 73×16 no lado direito e 52×21 do lado esquerdo, o que significa um andamento de 39 metros por pedalada!

“Nós melhoramos 300% a bike. Já chegou a 161km/h comigo rodando atrás de um carro com o porta-malas aberto. Mudamos peças, colocamos rolamentos de cerâmica e mudamos outros detalhes para a melhor performance. A bike está sensacional”, conta Portela, que trabalhou pessoalmente nas adaptações e melhorias da bike.

Detalhes da relação: relação 73×16 no lado direito e 52×21 do lado esquerdo

Também foram feitas novas adaptações no tubo superior e perto da caixa de centro excêntrica, que recebeu seis parafusos de inox. As ponteiras traseiras foram modificadas e receberam dois parafusos de inox para as rodas não mexerem. “Eu faço muita, muita força. No auge, eu aplico uns 1.200-1.300W de potência”, explica. Pedais com medidor de potência da Garmin serão utilizados para monitorar a potência exercida pelo atleta.

Os pneus usados são da Maxxis, aro 26, e contam com três tipos de malha. “É um pneu bem reforçado, o mesmo usado em bicicletas elétricas, com malha muito forte”, revela. “A bike está montada com garfo rigído, mas em maio haverá um protótipo com suspensão e vamos decidir”, diz.

A empreitada de Evandro Portela em busca de mais um recorde tem seu preço. “O projeto é incentivado. Trabalho 100% em cima disto. Sinto falta de corridas de bike, mas o projeto me toma todo o tempo. Eu tenho corrido de mountain bike para treinar. Este é um projeto de R$ 1 milhão. Até agora já foram R$ 400 mil e não vi nem a cor do dinheiro”, conta.

Portela tem o apoio de Mauro Ribeiro Sports, Notable Metalworks, Academia U.Play Fitness, Bicicletas Portela, Overall Quadros, EBANX, Farmacia Biológica e Sport Clinique Vicenze, Adesipar Comunicação Visual, Sava Bicicletas, Magna Soluções Financeiras e Sigma Motors.

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