Copa do Mundo no Brasil: Schurter vence e faz história; Avancini é 13º

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Copa do Mundo no Brasil: Schurter vence e faz história; Avancini é 13º

Nove vezes campeão mundial, o suíço iguala o recorde de 33 vitórias em etapas da Copa do Mundo de MTB de Absalon, que perseguia desde 2019

Nino Schurter na vitória do XCO em Petrópolis Foto: UCI

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Muito emocionado, o suíço Nino Schurter (Scott-Sram) precisou de alguns minutos para se recompor para a entrevista pós-etapa da Copa do Mundo de MTB. O nove vezes campeão mundial e medalha de ouro nos Jogos Rio-2016 finalmente igualou o recorde de 33 vitórias em etapas da Copa do Mundo do francês Julien Absalon neste domingo (10 de abril).

Schurter perseguia o recorde desde 14 de julho de 2019, em Les Gets, na França, quando alcançou 32 vitórias. Desde então, o suíço sempre esteve perto, mas foi somente no Brasil, mais precisamente no São José Bike Club, no Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, terra-natal de Henrique Avancini, que a vitória chegou.

 

Schurter levou a melhor no sprint contra o francês Maxime Marotte (Santa Cruz FSA) e o romeno Vlad Dascalu (Trek Factory Racing), que concluiu em terceiro. O brasileiro Henrique Avancini (Cannondale Factory Racing) terminou em 13º.

“Foi muito legal vencer aqui. Os fãs brasileiros são insanos pelo mountain bike e eu os amo. Só tenho que agradecer pelo apoio que me deram”, agradeceu Nino. “Durante a prova eu pensei se decidiria nas subidas da última volta. Quando passamos na reta oposta a chegada, eu tentei acelerar mas eu percebi que Marotte e Dascalu estavam na minha rota. Então, eu sabia que na última subida seria tudo ou nada. Foi nos últimos metros mesmo. Vencer corridas como essa, em que você tem que batalhar até o metro final, é legal demais. Foi uma das vitórias mais saborosas e vou guardar para sempre”, comemorou Schurter.

“Foram dois anos sem presença maciça de público e eu estava sentido falta disso. Vir para o Brasil, com tantos fãs, foi legal demais de ver. Eu realmente amo os brasileiros. Eles são loucos pelo esporte e vivem por isso. Só posso dizer obrigado aos torcedores. Estou muito agradecido pelas pessoas que fizeram a festa do lado de fora da pista. Agradeço também ao Avancini, por ter feito um trabalho tão bacana pelo esporte, aqui na América do Sul, principalmente no Brasil. É legal ver como o esporte tem sido desenvolvido pelas ações dele em seu país natal”, destacou.

Após a vitória histórica, Schurter assume a liderança da Copa do Mundo, com 288 pontos, seguido por Marotte, com 250, e Hatherly, que soma 180 pontos. Avancini é o 11º, com 120 pontos.

Nino Schurter na ponta Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool

Manager da equipe BMC MTB Racing, o francês Julien Absalon esteve presente na competição acompanhando sua equipe e falou sobre a vitória de Schurter. “Ele já estava há algum tempo próximo de igualar meu recorde e agora conseguiu. Vamos ver se ele chega na 34ª vitória, para bater meu recorde, o que para mim não é um problema, porque ele mereceu chegar até aqui. Nino fez uma linda corrida e é muito legal vê-lo à frente de tantos atletas da nova geração. Novos ciclistas jovens vem vindo e o Nino segue forte o suficiente para vencê-los”, analisou Absalon.

A prova foi disputada com tempo bom, temperatura de 26 graus centígrados e sem chuva. O circuito de 4,5km de extensão e 182 metros de altimetria por volta foi bastante elogiado pela imprensa internacional e agradou bastante aos atletas. Merece destaque também a grande presença de público. Segundo a organização foram vendidos 35 mil ingressos para os três dias do evento.

Apesar da ausência de longas subidas – comuns em outras pistas do Copa do Mundo – o percurso se mostrou desafiador com muitos ciclistas visivelmente sucumbindo fisicamente e perdendo rendimento nas últimas voltas, entre eles o brasileiro Avancini, que na sexta-feira ficou fora do pódio do short track (relembre aqui).

A prova reuniu 96 ciclistas de 25 países. Avancini largou bem e esteve entre os cinco primeiros até a penúltima volta. Logo no começo, o tcheco Ondrej Cink (Kross Orlen) assumiu a ponta, com Avancini, Schurter e Thomas Litscher (Kross Orlen) juntos. Cink registrou a volta mais rápida da pista, com o tempo de 11min50s e velocidade média de 22.80km/h.

Schurter abriu a terceira volta em primeiro, seguido por Cink. Avancini, Alan Hatherly (Cannondale Factory Racing) e Christopher Blevins (Specialized Factory Racing) logo atrás. O sul-africano tomou a ponta e foi seguido por Schurter, Dascalu e Marotte (Santa Cruz FSA). Avancini se segurava na quarta colocação.

A quarta volta foi decisiva para a formação do pódio final. Novamente, o suíço Schurter cruzou a meta na frente, com Dascalu, Marrote e Hatherly na sequência. Avancini era o quinto, a 15 segundos, e revelava sinais de sofrimento. Cink caiu para a sexta colocação e foi perdendo colocações.

Schurter e Marotte na chegada em Petrópolis Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool

Lá na frente, o trio vencedor consolidou sua vantagem sobre os adversários, com Schurter, Marotte e Dascalu imprimindo um forte ritmo. Na quinta volta, Schurter, Dascalu e Marotte cruzaram juntos a meta, com Avancini em quarto, a 8 segundos, seguido de perto pelo companheiro de equipe Hatherly. O brasileiro foi perdendo contato com o trio, que aumentava gradativamente o gap para os perseguidores.

Dascalu abriu a penúltima volta na liderança, com Schurter e Marotte em sua roda. O suíço Colombo abriu a 6ª volta em quarto e Avancini em quinto, a 39 segundos do romeno. Mas o dia não era do brasileiro e Avancini que foi perdendo posições.

Um pouco mais atrás a briga se intensificou pelo quarto e quinto lugares no pódio. A briga entre Colombo, Sebastian Fini e Froidmont foi intensa. Fini garantiu a quarta colocação e Colombo foi o quinto, a 55 e 56 segundos respectivamente.

“Foi uma boa corrida. Acredito que nós três, Nino, Vlad e eu, fomos os protagonistas do começo ao fim. Lutamos pela vitória desde o início. Chegamos juntos na subida final, tentei ficar na frente deles, mas perdi no sprint. Honestamente, estou desapontado, porque sigo em busca da minha primeira vitória em etapas da Copa do Mundo. Faz parte do jogo, o Nino foi mais forte do que eu e é assim que é”, lamentou Marotte.

Primeira vez em um pódio em etapas de Copa do Mundo, o dinamarquês Sebastian Fini comemorou muito a quarta colocação. Após fechar a primeira volta em 18º lugar, ultrapassou e foi ganhando posições até alcançar a quarta colocação só na última volta.

“Eu sou apaixonado pelo Brasil. Fiz corridas tão boas aqui no passado. É louco terminar em quarto lugar. Cheguei aqui com a expectativa de fazer um bom trabalho e, quem sabe, conseguir um top 10. Na última semana, na Copa Internacional Michelin de Mountain Bike, me senti tão mal. E, por isso, minhas expectativas diminuíram para hoje (domingo). Algumas vezes, consigo meu melhor quando vou para uma prova com o pensamento de me divertir. Foi isso que aconteceu. Foi inacreditável”, comemorou.

Além de Avancini, o Brasil também teve a presença de Luiz Henrique Cocuzzi (31º a 5min10s), Ulan Galinski Bastos (38º a 6min17s), Kennedi Lago (51º a 8min38s), Nicolas Rafhael (53º a 9min16s), Guilherme Muller (54º a 10min13s), Bruno Martins Lemes (56º a 10min54s), Wolfgand Soares Olsen (60º a 13min11s), Sherman Trezza ( 61º a uma volta), Edson Rezende Jr (63º a uma volta), Rubens Donizete (64º a uma volta), Rodrigo Silva Rosa (66º a duas voltas), Leandro Donizete (67º a duas voltas), Edmilson Macedo (68º a duas voltas), José Gabriel (71º a duas voltas), Flávio de Jesus Lobo Neto (77º a duas voltas), Pedro Bertallo (79º a duas voltas) e Mario Couto Greco Santos (DNF).

Avancini na chegada do XCO Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool

“Esse foi o momento mais especial, intenso e marcante da minha carreira. Gostaria muito de ter entregue um resultado muito melhor do que eu entreguei nas duas provas. Isso mostra muito mais do que foi esse dia, do que foi a competição, mostra o significado de uma vida dedicada ao esporte, e o carinho, apoio e intensidade que recebi das pessoas é algo inexplicável. Para mim é a prova de que valeu muito a pena dedicar a vida a isso, faria tudo de novo, faria as mesmas renúncias, as mesmas escolhas, porque esse final de semana foi muito especial para mim e para o esporte que amo tanto”, comentou Avancini.

Agora, Avancini volta a competir na Copa do Mundo de MTB em maio, nas etapas de Albstadt, na Alemanha, entre os dias 6 e 8, e Nové Mesto, na República Tcheca, de 13 a 15.

 

Resultados completos aqui

COPA DO MUNDO DE MTB 2022
26 e 27 de março – Lourdes, França (DH)
8 a 10 de abril – Petrópolis, Brasil (XCO/XCC)
6 a 8 de maio – Albstadt, Alemanha (XCO/XCC)
13 a 15 de maio – Nove Mesto, República Tcheca (XCO/XCC)
21 e 22 de maio – Fort William, Reino Unido (DH)
10 a 12 de junho – Leogang, Áustria (DH/XCO/XCC)
8 a 10 de julho – Lenzerheide, Suíça (DH/XCO/XCC)
15 a 17 de julho – Vallnord, Andorra (DH/XCO/XCC)
29 a 31 de julho – Snowshoe, EUA (DH/XCO/XCC)
5 a 7 de agosto – Mont-Sainte-Anne, Canadá (DH/XCO/XCC)
2 a 4 de setembro – Val di Sole, Itália (DH/XCO/XCC)

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