Turiciclismo, a união de duas paixões

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Turiciclismo, a união de duas paixões

A bicicleta tem cada vez mais se tornado uma ferramenta utilizada no turismo

A bicicleta tem sido cada vez mais usada no turismo sustentável – Foto de Pixabay

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Pixabay

O ciclismo tem crescido. E muito. Há diversas provas de que andar de bicicleta deixou de ser apenas uma atividade de lazer e tem alcançado o status de modo de vida. Basta ver o número de ciclovias e ciclofaixas que surgiram nos últimos anos em todas as grandes capitais brasileiras, um movimento mais do que bem-vindo e extremamente oportuno, ainda que para muitos, tardio. Junto com os caminhos, vieram os serviços de aluguel de bicicletas, rapidamente abraçados e patrocinados pela iniciativa privada, sempre atenta àquilo que supera a moda e se torna hábito.

No âmbito esportivo, Henrique Avancini tem inspirado toda uma geração com suas conquistas no mountain bike, dentre elas o campeonato mundial de 2018 e a Copa do Mundo de 2020, além de inúmeros resultados expressivos em outras competições internacionais. Outro exemplo que ilustra a crescente relevância do ciclismo esportivo é a sua inclusão nos principais sites de esportes bets, que já não se limitam apenas aos esportes clássicos como futebol e basquete, mas também oferecem as principais competições de ciclismo, como o Giro de Itália e o Tour de France. Há, inclusive, cotações para todos os principais candidatos, tanto na vitória final quanto para cada etapa. Uma mostra clara não só do prestígio, mas também do interesse pela modalidade.

Com tantos fãs e praticantes, era de se esperar o surgimento de um novo desdobramento do mundo em duas rodas: o cicloturismo.

Cada vez mais os viajantes têm procurado destinos para pedalar enquanto passeiam. A possibilidade de ver belos lugares em cima de uma bike, como o sul da França, tem estimulado os destinos a investirem na promoção desses roteiros, e já há diversas empresas especializadas oferecendo esses serviços.

Alguns lugares são escolhas óbvias, por já serem terra consagrada para as bicicletas. Amsterdã, na Holanda, possui uma frota impressionante de bikes que são, provavelmente, o principal meio de transporte pela cidade. Em pontos-chave, como próximo à estação de trens, há estacionamento de dois ou até três andares, exclusivos para as magrelas. E, em tempo: você pode levá-las nos trens, se quiser. Dá até para fazer um tour com guia em português.

Mas além da capital, o turismo ciclístico da Holanda leva os viajantes para os arredores. É possível pedalar por pouco mais de meia hora e visitar um dos famosos moinhos de vento, um vilarejo típico com direito a degustação de queijo ou os icônicos jardins de Keukenhof.

Outro ponto que é referência na vida com bicicletas é Copenhague, capital da Dinamarca. Completamente plana, a cidade abraçou as bikes não como meio de transporte, mas como estilo de vida. Nove em cada dez habitantes da cidade têm uma bicicleta (e apenas quatro em dez têm carros). Somando-se tudo que se pedala em apenas um dia em Copenhague, seria possível dar a volta ao mundo seis vezes.

A Europa oferece inúmeros roteiros para turismo com bicicleta – Foto de Pixabay

Porém, o cicloturismo está ganhando outras paragens menos conhecidas. No centro da Europa há uma verdadeira malha de ciclovias interligando Alemanha, Áustria e República Tcheca. Entre Berlim e Praga está a trilha do rio Elba, considerada por muitos uma das mais bonitas de toda a Europa. Margeando o rio, o caminho possui diversos graus de dificuldade, com inclinações variadas e uma sucessão de paisagens deslumbrantes entremeadas com palácios e castelos com algumas centenas de anos, como o palácio de Strekov que, segundo a lenda, teria inspirado o poeta alemão Goethe e o músico Richard Wagner.

Atravessando a República Tcheca diagonalmente se chega a outra região cicloturística, a Morávia do Sul, parte do território tcheco encostada na Eslováquia e na Áustria. Aqui o turismo de bicicleta também floresce, com vias bem sinalizadas ligando Viena a Bratislava e Brno. Pelo caminho, uma região conhecida como “Jardim da Europa” por seus extensos parques e jardins, normalmente associados a belos palácios como em Valtice ou Kromeriz.

E, se o cicloturista resolver pedalar em setembro, terá a oportunidade de frequentar as festas das vindimas, já que a Morávia do Sul e a Áustria são duas regiões vinícolas importantes. Na época da colheita, é só andar pelos vinhedos até as adegas para experimentar os primeiros exemplares da safra do ano. Antes que alguém pergunte: empresas especializadas se encarregam de acompanhar os turistas-ciclistas-enólogos e levá-los em segurança de volta ao hotel depois das degustações. Segurança sempre em primeiro lugar.