Pippo Garnero é suspenso na França e admite uso de EPO

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Pippo Garnero é suspenso na França e admite uso de EPO

Agência Francesa Antidopagem notifica brasileiro, que afirmou que usou EPO para tratar uma pré-anemia; teste foi na Haute Route Alps

Pippo Garnero na vitória da sétima edição do L’Étape Brasil, em 2021 Foto: OnBoard

Do Bikemagazine
Foto de divulgação

Antonio “Pippo” Garnero, campeão brasileiro de 2014 e vice-campeão em 2021, informou por meio da rede social Strava de que foi notificado pela Agencie Française de Lutte Contre le Dopage (AFLD), a Agência Francesa de Combate ao Doping, de que está provisoriamente suspenso de toda atividade competitiva por causa de teste com resultado analítico adverso para eritropoetina (EPO).

O ciclista admitiu o uso do EPO e afirmou ter recorrido ao medicamento por causa de uma pré-anemia: “Aceitarei a interpretação e punições que me forem atribuídas”, disse.

Garnero testou positivo durante a Haute Route Alps, onde liderava a classificação geral.

Os organizadores da Haute Route Alps divulgaram o seguinte comunicado: “Fomos informados pela Agência Antidoping, responsável por uma investigação mais aprofundada sobre este assunto, que, de acordo com as regras aplicáveis, o atleta foi declarado inelegível para participação adicional neste momento. Posteriormente, a participação do atleta no evento foi suspensa. Como o Haute Route Alps é operado de acordo com o Código do Esporte francês, que também aplica as regras do Código Mundial Antidoping, respeitaremos o processo de investigação e os direitos do atleta. A Haute Route reconhecerá e aplicará qualquer sanção imposta pela Agência Antidoping. A Haute Route continua comprometida com o esporte limpo e a conformidade e tomará as medidas corretas sempre que necessário”.

O ciclista, que estava se dedicando a provas granfondo desde que deixou o pelotão profissional, tinha em sua programação de 2022 defender o título de campeão da prova por etapas Haute Route Alps, que venceu em 2021, e disputar o Granfondo Mont Ventoux e o La Marmotte, prova que venceu em 2019, além do L´Étape du Tour, com chegada ao alto no Alpe D’Huez.

Em junho, após o Granfondo Mont Ventoux, em que Garnero terminou em 5º lugar, o brasileiro teria ido embora rapidamente mesmo sabendo que teria que passar pelo teste antidoping.

Reportagem do CycleWord que estava no local levantou a questão de que Garnero havia “fugido”. Na ocasião, o brasileiro afirmou que havia sido um mal entendido.

Agora, com a confirmação da suspensão, Garnero publicou o seguinte comunicado:

Amigos,

Fui notificado pela AFLD dando conta de minha suspensão provisória de toda atividade competitiva em razão de resultado analítico adverso para eritropoetina (EPO), medicamento usado parar tratar, dentre outras condições, a anemia.

Embora a conduta seja injustificável, me pronuncio abertamente até mesmo para que o erro não seja repetido por outro atleta.

Aposentei-me profissionalmente no final do ano passado, aos 38 anos de idade, tendo atingido o ápice no ciclismo nacional, em talvez um dos esportes mais duros física e mentalmente.

No início deste ano, contudo, decidi voltar a competir provas – exclusivamente amadoras dessa vez – em condições de altitude. No decorrer de minha preparação estava com sensações que pareciam indicar um possível quadro pré-anêmico, comprovado por exames no passado.

Precipitada e impensadamente, em um ato de desespero, recorri ao medicamento para buscar elevar meus valores sanguíneos aos parâmetros de referência. Foi a primeira e única vez em que fiz uso do hormônio, fato comprovado inclusive pelos incontáveis exames já realizados em minha carreira.

Nesse estado, não deveria sequer ter pensado em competir. Errei. Não sopesei direito. Me desculpem.

Aceitarei a interpretação e punições que me forem atribuídas. Agora, só tenho um único caminho: seguir em frente. Me manter sobre duas rodas, cuidar do meu trabalho e de minha família.

Sinceramente,

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