Entrevista: André Gohr fala sobre a carreira e o sonho olímpico

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Entrevista: André Gohr fala sobre a carreira e o sonho olímpico

Aos 26 anos, o catarinense campeão brasileiro de contrarrelógio de 2019 é atualmente o melhor brasileiro no ranking individual UCI

O catarinense André Gohr Foto: Rodrigo Philipps

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação e arquivo pessoal

O ciclista catarinense André Gohr, embaixador da Cannondale Brasil e da Riders Bike Shop, está pronto para disputar a ultramaratona de três dias Riders MTB Festival. Atualmente Gohr integra a equipe de ciclismo Unifunvic/Pindamonhangaba e também disputa algumas provas de mountain bike.

“Meu contrato prevê corridas de mountain bike e o primeiro desafio é conciliar os calendários. Os treinos não mudam muito”, diz Gohr, que disputou pela primeira vez o Campeonato Brasileiro de Marathon, no dia 14 de agosto, em Castro Alves, na Bahia.

Recém-completados 26 anos, Gohr tem um palmarés vencedor. Ele é campeão brasileiro de crono (2019) e teve várias participações importantes em eventos internacionais. Gohr foi medalhista de prata na prova de crono e ouro na prova de estrada nos Jogos Sul-Americanos da Juventude de 2013, em Lima. Em 2014, foi quinto colocado nos Jogos Mundiais da Juventude, na China.

“Este evento tem o mesmo formato de uma Olimpíada, só que para atletas de até 18 anos. É uma espécie de Olímpiadas Júnior”, explica.

Gohr na Volta de San Juan de 2019

Gohr integrou o programa para jovens ciclistas da UCI, em Aiglé, na Suíça, de 2014 a 2016. “Esta experiência foi um divisor de águas em minha carreira e desde então sempre tive oportunidades de representar o Brasil”, conta.

De 2018 até a meados de 2021, Gohr foi terceiro sargento da aeronáutica e disputou os Jogos Mundiais Militares, em Wuhan, na China, em 2014, e terminou em oitavo na prova de estrada.

Sugestões para o ciclismo
Focado em sua carreira, Gohr não faz segredo de seu objetivo de estar nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. “Estamos a dois anos dos Jogos Olímpicos de Paris e o ciclo olímpico está a todo vapor”, diz.

Vale lembrar que o ciclismo de estrada brasileiro ficou de fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio e ainda não tem vagas garantidas para Paris. No momento o Brasil ocupa a 44ª colocação no ranking de nações e somente as 40 primeiras nações têm vagas na prova de estrada olímpica. Veja ranking completo aqui.

Numa boa hipótese o Brasil vai conquistar uma vaga para o masculino e outra para o feminino.

Um dos eventos internacionais importantes nesta corrida por pontos para as vagas olímpicas são os Jogos Sul-Americanos de Assunção, competição que será de 1° a 15 de outubro, na capital paraguaia. O Brasil estará representado com 15 atletas que vão competir nas modalidades estrada, crono, BMX Racing, BMX Freestyle, mountain bike e pista.

“A CBC divulgou em seu site os critérios para convocação do Sul-Americano. O critério de desempate seria o resultado do último Pan-americano, que teria peso 2 na definição da vaga. Eu fui quinto colocado no Campeonato Pan-americano, disputado em San Juan, na Argentina. Por isto eu tinha a expectativa desta oportunidade, afinal represento o Brasil em provas internacionais desde 2013. Tenho certeza que todos os atletas convocados têm total condições de representarem bem o Brasil. Eu continuo fazendo o meu trabalho e estarei sempre pronto para representar o Brasil em eventos futuros e sempre sou muito grato à CBC pelas oportunidades que me deram”, afirma Gohr, que atualmente é o brasileiro melhor colocado no ranking individual UCI.

Gohr em San Juan no pelotão com Peter Sagan

Atento aos rumos do ciclismo no Brasil, Gohr sugere algumas ações para o crescimento do ciclismo de alto rendimento no País.

“O Brasil sempre teve boa representatividade na América do Sul, mas depois de 2016 o ciclismo de estrada brasileiro foi perdendo espaço. Outras modalidades têm trabalho estruturado, como o cross country, o BMX olímpico, o BMX Freestyle e o ciclismo de pista. No ciclismo de estrada não temos um técnico fixo e a cada convocação é um profissional diferente. Sei que é complicado, pois envolve logística e tal, mas tem que eleger um nome e fazer um trabalho com ele. Temos bons exemplos na América do Sul, como Colômbia, Argentina e até a Venezuela, que passa por uma crise profunda. São países que têm um orçamento que é menos de 10% do orçamento brasileiro e fazem um belo trabalho no ciclismo de estrada”, resume.

Vale lembrar que no ranking de nações a Colômbia é a 9ª, o Equador é o 16°, a Argentina é a 31ª, o Panamá é o 33° e a Venezuela é 36ª colocada.

Para Gohr, algumas ações deveriam ser implementadas para o bem do esporte. “Acho importante haver mais training camp, assim o treinador pode avaliar o estado físico de cada atleta. Isto já se faz nas outras modalidades. Eu tenho esperança que vai mudar, como atletas temos que ir atrás e precisamos muito da Confederação para resgatar o ciclismo de estrada.”

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