GP Ravelli: Gabriel Vargas conta como foi correr de gravel uma prova de XCM

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GP Ravelli: Gabriel Vargas conta como foi correr de gravel uma prova de XCM

Confira o relato do nosso colaborador e treinador, que encarou a maratona GP Ravelli com uma gravel bike com guidão drop e pneus 38mm

No percurso de 32km da categoria gravel do GP Ravelli – Foto: Wladimir Togumi Fotop

Gabriel Vargas/Especial para o Bikemagazine
Fotos de divulgação

As provas do GP Ravelli, tradicional série de eventos de XCM organizada pelo multicampeão (e lenda do MTB) Marcio Ravelli, são conhecidas pelos percursos duros, com trechos muito técnicos e bem casca-grossa. Em meio às várias categorias disponíveis, uma parece fora de lugar: categoria gravel.

A modalidade, que estreou em 2021 nos eventos de Ravelli, vem crescendo em número de adeptos mas ainda há pouquíssimas provas quando comparado às corridas de marathon (XCM).  “Começamos o gravel de modo experimental no ano passado e não divulgamos muito. Agora já temos grupos, queremos divulgar mais e fazer um trabalho diferente”, contou o organizador.

Curioso para saber como é a experiência de disputar uma prova de XCM sobre uma gravel em meio às mountain bikes, o Bikemagazine disputou a etapa de Itu (SP), com largada no terreno da fábrica de bicicletas GTSM1.

As gravel correm na bateria das categoria Sport, com percurso de 32 km somente em estradas de terra, sem trilhas de fato. Enquanto isso, a categoria Pro cumpriu o dobro dessa distância, com muito mais subidas e algumas trilhas bastante técnicas que seriam um pouco demais para as bikes de cascalho.

Gabriel Vargas no pelotão das mountain bikes – Foto: Larissa Nery Fotop

“Coisa de maluco, fazer o GP Ravelli de gravel! Tem que ter muita coragem” – ouvi muitas frases como esta na área da largada e ao longo do percurso. Como um estradeiro (ex-mountain biker há mais de 15 anos) e recém convertido a graveleiro que ultimamente só treina no Zwift, não sabia muito o que esperar da prova, do percurso, e muito menos das minhas aptidões para o desafio. Só torci para que o piso fosse razoavelmente clemente com meus pneus 700×38 e que os freios a disco mecânicos dessem conta do recado.

O percurso foi perfeito para a prática do gravel – Foto: Rafael Cruz Fotop

A verdade é que encontrei estradas excelentes para uma gravel e, salvo alguns buracos logo após a largada e apenas uma curta descida cheia de valetas e pedras enormes no meio da prova, todos os demais trinta e poucos quilômetros foram excelentes para o equipamento sobre o qual eu me encontrava. Piso com superfície sempre bastante regular, embora enfrentamos inúmeros trechos super desafiadores com poças de pó, que exigiram bastante pilotagem, entrosamento com a bike e rendeu um bocado de adrenalina e diversão – a poeira era tanta que a visibilidade era de apenas poucos metros em algumas descidas!

Primeira vitória na gravel
Infelizmente, a categoria gravel ainda tem poucos participantes, mal o suficiente para preencher o pódio. Cheguei a liderar toda a bateria Sport logo após a largada, mas fui perdendo terreno nos primeiros trechos de terra e, com 34-34 na coroa e cassete, sofri bastante nas rampas mais íngremes do percurso.

Foi divertido, e muito respeitoso, disputar um pouco com as mountain bikes. Passei várias pessoas em subidas, e era ultrapassado em descidas mais complicadas. Nos planos e descidas velozes e pedaláveis, buscava e passava novamente. Ao chegar, além da alegria da vitória na categoria, pude desfrutar da boa estrutura da prova, que contou com tenda de hidratação e alimentação, apoio mecânico, venda de lanches e refeições e outras amenidades.

A categoria estreou em 2021 no GP Ravelli – Foto: Wladimir Togumi Fotop

A experiência de correr uma prova de maratona com uma gravel foi muito interessante, especialmente por termos passado por estradas perfeitamente adequadas para esse tipo de bike. A existência da categoria gravel em provas de prestígio como o GP Ravelli, mas também em outras provas do calendário do MTB, possibilitam mais desafios aos praticantes dessa vertente tão recente que ainda é um nicho, mas que está ganhando muitos adeptos no Brasil.

Além disso, claro, nada como a oportunidade de conhecer outros graveleiros e ter garantia de uma manhã de desafios e diversão!

Os resultados completos estão no link resultados.cronoactive.com.br/lista/86 

*Gabriel Vargas disputou o GP Ravelli a convite da organização para o Bikemagazine