Shimano Fest: menos bikes, mais vestuário e público recorde em 2022

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Shimano Fest: menos bikes, mais vestuário e público recorde em 2022

Na primeira edição presencial desde 2019, festival teve a bike de Nino Schurter, lançamentos e a presença de marcas portuguesas, que surpreenderam

O evento teve recorde de público Foto: Sidnei Delong

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Muita coisa mudou desde a edição 2019 do Shimano Fest. O evento não foi realizado em 2020 e em 2021 foi de forma online. Depois do período sombrio da Covid, todos do mercado estavam ansiosos para a maior feira do setor de bicicletas do Brasil. E não é só pelas novidades. Toda feira serve para rever amigos e encontrar clientes que só se conhece por telefone. É o lugar para iniciar contatos que podem gerar negócios no futuro.

Segundo a organização, a edição 2022 bateu recorde de público, com 14 mil visitantes a mais que 2019. Apesar do fim de semana bem frio e com céu cinzento, a feira no Memorial da América Latina movimentou R$ 45 milhões (30% a mais que a última edição presencial) e fechou com 48,8 mil visitantes.

O sucesso de público é fácil de explicar. O festival da Shimano é de graça para entrar, fácil de chegar e ainda é possível comprar direto em alguns estandes. É tudo o que outras feiras anteriores nunca ofereceram.

O festival oferece também – de graça, insisto – passeio ciclístico, atividades para a criançada, test ride de bikes bem legais, palestras, sorteios, concurso mecânico e música de muito boa qualidade. Anos atrás vi o último show do Kid Vinil. Tem ainda food trucks, show de tambores japoneses, enfim, desconheço no Brasil uma feira de setor que ofereça tanta coisa boa para todo mundo de maneira gratuita.

A corrida de Short Track sempre fez parte da programação Foto: Ney Evangelista

Sei que foi bem disputado para os expositores conseguirem espaço na feira. Os espaços de eventos como estes são comercializados com muita antecedência e a situação pandêmica complicou ainda mais a programação. Pela primeira vez vi marcas famosas apertadas em um espaço exíguo de 3×4 metros. Quando alguns expositores finalmente decidiram por espaços maiores já não havia. Este ano 230 marcas estavam presentes. O Shimano Fest já confirmou a realização da 13° edição, prevista para agosto de 2023.

Mas e as bikes, as estrelas mais brilhantes de qualquer feira de bicicletas, como estavam?

A Specialized e Trek ficaram de fora. Aliás, as bicicletas eram talvez uns 25% da feira. O restante era dedicado aos periféricos necessários para pedalar. A bike do Nino Schurter usada na vitória da Copa do Mundo de MTB em Petrópolis (RJ) estava lá e foi um dos destaques de toda a feira. A bike do Henrique Avancini não estava e nem o próprio. “Ele vai ao Mundial no fim de semana que vem”, foi a explicação. Mas, claro, os fabricantes se empenharam em trazer as novas bikes modelo 2023 e tinha coisa legal, tanto das marcas estrangeiras e também das nacionais.

Vestuário em alta
Havia muita roupa, muita roupa mesmo, e teve até liquidações agressivas do tipo “quatro camisas por R$ 100”. Um olhar mais atento nas cores da coleção revelava o encalhe do cruel período pandêmico.

Este ano a exposição reuniu 230 marcas

Além de vestuário, acessórios e componentes dos mais variados tipos e aplicações lotavam os estandes, incluindo fabricantes nacionais. O setor de nutrição esportiva também estava presente com várias marcas. Havia também os serviços especializados para o segmento bicicletas como seguros, consórcios, assessorias esportivas e por aí vai. A bicicleta dá emprego para muita gente, esta é que é a verdade.

Carbono Made in Portugal
O mercado brasileiro é grande e cresceu muito nos últimos anos. Se antes da pandemia as bicicletas estavam ganhando cada vez mais espaço na mobilidade, na qualidade de vida e como meio de diversão, atividade física e esporte, a bicicleta virou a primeira opção de transporte e de lazer para muita gente que queria se ver livre de transporte público e academias.

O crescimento puxou também o segmento das bicicletas e componentes voltados ao público das bikes de alto desempenho (e altíssimo preço). É gente exigente e que não liga em gastar R$ 3 mil em um selim ou R$ 25 mil em um par de rodas.

Portugal marcou presença na feira

De olho neste mercado gigante, o estande do projeto “Portugal Bike Value” mostrou produtos Made in Portugal que impressionaram. O estande é na realidade uma associação que representa fabricantes daquele país e que desejam vender para o Brasil.

“A Polisport já está presente em vosso País há alguns anos”, contou-me Fábio Tomás, enviado ao Brasil com a missão de divulgar os produtos e, quem sabe, achar um parceiro confiável para iniciar operações no maior mercado da América Latina.

Portugal é o maior fabricante de bicicletas de toda a Europa e ali estão instaladas várias empresas do setor e o Brasil é parte importante desta nova indústria portuguesa, com a Swift.

Muitos podem não saber, mas algumas correntes da Sram são feitas em Portugal. “São produzidas em imensos rolos e exportadas para Taiwan, onde são cortadas e embaladas como Sram”, mostra orgulhoso a foto da embalagem Fábio Tomás, gerente técnico de desenvolvimento e novos testes da Abimota (Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins). Há fabricantes de vários componentes: de garrafas de plástico a rodas e quadros de carbono superleves.

Mas foi a Gelu que impressionou com seus componentes de carbono superleves que nada deixam a desejar quando comparados com alemães e italianos. A empresa produz selins (40 gramas) e canotes levíssimos. Há fabricantes de rodas de carbono e havia até um quadro de 800 gramas feito em Portugal. Outros produtos inovadores chamaram a atenção de nosso público, como uma inovadora caramanhola e até uma cadeira de criança estofada com cortiça, matéria-prima típica de Portugal.

O incrível selim da Gelu de apenas 40 gramas feito em Portugal

O festival só não foi melhor por conta do clima. Na manhã de sexta-feira o dia amanheceu cinzento e sensação térmica de 6 graus. O sábado e o domingo foram um pouco melhores.

“Fiz contatos com clientes de todas regiões do Brasil e realizamos bons negócios. Foi bem positivo, apesar do frio ter atrapalhado bastante na sexta-feira”, contou um expositor.

Leia também a entrevista com o presidente da Shimano para a América Latina