A bike do Avancini quebrou. E daí?

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A bike do Avancini quebrou. E daí?

A caminhada de Avancini de volta para a arena foi histórica, sob aplausos do público na etapa de abertura da Copa Internacional de MTB, em Araxá

Avancini recebe o apoio dos fãs após quebra Foto de Jonathas Abrantes/Ultrafotos

Marcos Adami/Do Bikemagazine
Foto de divulgação

A bike do Avancini quebrou. E quebrou feio. Sim, aquele modelo novo, lançado em janeiro e que tive a oportunidade de ver quando o pano foi removido. A bike de carbono é bem levinha. Apenas 9,6 quilos. Foi concebida em toque de caixa, bem rapidão. A verdade é que a bike encantou, montada com o que há de melhor no mundo.

Já cobri centenas de provas, mas poucas vezes vi uma bike quebrar. Uma vez no Tour do Rio uma Giant da equipe de Americana quebrou o garfo e o ciclista foi ao chão. Ele levou sorte, pois tinha acabado de descer uma serra sinuosa a mais de 80km/h. O tombo não teve nenhuma física para o ciclista, só mesmo a mácula para a marca.

A quebra de um quadro no meio de uma corrida é algo raro de se ver, mais raro ainda de acontecer com os protagonistas da prova, tipo Avancini. Em provas de mountain bike, foi a primeira vez que vi isto acontecer (e olhe que já cobri trocentas provas de DH). A queda de Avancini não foi captada pelas imagens oficias do evento, mas acho que todo mundo já viu vídeos nas redes sociais.

VÍDEO

Toda bike e todo componente de carbono pode quebrar e não é privilégio desta ou daquela marca. A verdade é que quanto mais leve uma bike ou um componente mais frágil ele será. Equalizar resistência e leveza em um quadro de carbono não é tarefa fácil. Quem não se lembra da cena do Van der Poel pedalando só com meio guidão na Le Samyn, em 2021?

Imagino que neste exato momento as cabeças pensantes da Caloi e do fabricante asiático que produziu o quadro devem estar conversando e ajustando coisas. Confio que existem pessoas muito competentes que já devem ter soluções em andamento.

Mesmo sem consequências físicas aparentes, o tombo de Avancini foi feio sim. A sorte estava do lado de nosso campeão mundial. Felizmente o quadro resolveu quebrar logo depois do último salto na passagem pelo rock garden e ele caiu em uma área limpa. Se fosse alguns metros antes, o resultado poderia ter sido bem outro. Sorte que ele terminou inteirinho.

Avancini passou várias vezes no mesmo lugar, deu muitos saltos, passou com a cabeça bem pertinho de troncos de árvores, saltou dezenas de vezes, desceu em alta velocidade single tracks.

“Que má ideia a de colocar aquelas pedras ali bem do lado da recepção do salto. Servem para quê exatamente? Ali é lugar de fita bump e não de pedras. Quem errasse o salto e perdesse o controle poderia dar com a cabeça nas pedras”, contou um amigo Master, vice-campeão de sua categoria.

Eu, o Bikemagazine, o Brasil e o mundo inteiro agradecem que a quebra do quadro não tenha terminado com a carreira dele. Quem anda de bike sabe que bem poderia. O próprio Avancini sabe disso.

A caminhada de Avancini de volta para a arena foi histórica, sob aplausos do público e sob o simbólico ombrelone da Caloi, protegendo o atleta do sol. “Ainda bem que EU não quebrei nada”, imagino que ele poderia estar pensando.

Fora dos pedais Avancini deu uma aula. Depois do tombo, levantou, olhou, viu o estrago e entendeu. Em vez de lágrimas, a calma e a sobriedade de quem tem uma carreira vitoriosa e um projeto em andamento.

Outros ciclistas da equipe Avancini Racing que usam o mesmo modelo de bike não registraram quebras e terminaram sem problemas. Ulan Galinski terminou em quarto na elite, Cainã de Oliveira foi terceiro na Sub-23 e Sabrina Oliveira concluiu na 12ª colocação.

Penso em como está a cabeça de Avancini e da Caloi, já que nos próximos dias a equipe embarca para a disputa da Copa do Mundo, em Nové Mesto, na República Checa, com saltos e rock gardens de montão.