Brasileiro bate recorde mundial da Travessia das Américas

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Brasileiro bate recorde mundial da Travessia das Américas

Cicloturista Leandro Carlos da Silva, o "Leo Pedalando pelo Mundo", concluiu 22,4 mil km em 95 dias, 16 horas e 57 minutos. Leo pedalou do Alasca até Ushuaia, na Argentina

Foram 22.434,79km em 95 dias, 16 horas e 57 minutos – Foto de Breno Bizinoto

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Breno Bizinoto

Na noite deste sábado (2 de setembro), Leandro Carlos da Silva, conhecido como “Léo Pedalando pelo Mundo”, terminou a travessia sem apoio de 22.434,79 km de Prudhoe Bay, no Alasca, até Ushuaia, na Argentina, estabelecendo um novo recorde pan-americano, sem suporte.

O ciclista de Caldas Novas (GO), começou no dia 30 de maio, em Prudhoe Bay, no norte do Alasca, a tentativa de estabelecer um novo recorde mundial. O objetivo: chegar à Bahia Lapataia, no Ushuaia, no extremo sul da América do Sul, em menos de 97 dias.

Léo chegou ao seu destino após 95 dias, 16 horas e 57 minutos, superando o recorde anterior sem suporte em 2 dias, 4 horas e 12 minutos, que era do alemão Jonas Deichman, conquistado em novembro de 2018. Ele percorreu 22.434,79 km, com 123.803 metros de altimetria acumulada, cruzou 15 países, diversos fusos horários e todas as zonas climáticas do planeta.

Além desse, o ciclista também estabeleceu o novo recorde da travessia mais rápida sem suporte da América do Norte (Proudhoe Bay) à América Central (Cidade do Panamá), em 49 dias. O anterior para o mesmo trecho era de 52 dias.

Léo não teve um veículo de apoio que o seguia, assim era ele que tinha que levar seu equipamento, carregar seus eletrônicos, além de lavar sua própria roupa e comprar sua comida. Quando não encontrava hotel nas cidades em que pernoitava, ficava em sua barraca de camping, ou dormia ao relento nos acostamentos das rodovias do trajeto.

Condições extremas e intempéries
Ao longo do percurso, o ciclista enfrentou as mais diversas intempéries e condições extremas: frio extremo no Alasca, incêndios no Canadá, ondas fortes de calor e chuvas de granizo nos Estados Unidos e México, dificuldades nas passagens de fronteiras na América Central, falta de internet e energia elétrica na Venezuela, estradas precárias (sem asfalto) no Brasil e na Bolívia, frio e ventos contrários na Patagônia Argentina.

A bicicleta utilizada foi uma gravel da marca Swift Carbon que passou por três revisões durante toda travessia. A primeira nos Estados Unidos, a segunda no Panamá e a terceira no Brasil. Foram quatro jogos de pneus, quatro cassetes e oito correntes durante toda travessia, com o modelo Univox. Os componentes são da Shimano e a coroa da Ictus.

Léo pedalou sem nenhum dia de descanso. Fez média de 236,15 km por dia. “Em 2022, tentei quebrar o recorde, mas por problemas de saúde tive que adiar o sonho. Nesse ano, mais preparado, munido de barraca de camping, com ajuda de especialistas, estabeleci a rota que ia seguir antes mesmo de sair do Brasil, e esses foram fatores primordiais para a conquista do objetivo”, explicou lembrando seu bordão: “Bora girar o pedivela. É pra frente que se anda”.

Para a aventura, o ciclista teve apoio da Shimano, Sense, Swift Bicycles, Caldasnovasapp, Ictus.Its e LM Mining Company.

Lives e venda de camisetas
Ao longo do percurso, Leo realizou lives em que promoveu a venda de camisetas e o sorteio de sua bike, que ele chamou de “Bela” e, também, recebeu doações que ajudaram a viabilizar o projeto. Quem quiser acompanhar mais detalhes da aventura pode seguir pelo instagram (@leopedalandopelomundo) ou pelo seu canal no YouTube (leopedalandopelomundo).

Dinheiro emprestado para a primeira bike
A história de Leo com o ciclismo é recente. Há cinco anos, o goiano de Caldas Novas pediu dinheiro emprestado para comprar sua primeira bike.

E partiu para os desafios sobre duas rodas. Em 2019, estabeleceu o recorde “Capitais do Brasil”, percorrendo as 27 capitais do país em 166 dias e um total de 18,5 mil quilômetros. Já em 2021, foi a vez do recorde do percurso entre o Monte Caburaí, em Roraima, e Chuí, no Rio Grande do Sul: 10 mil quilômetros percorridos em 44 dias.

“Depois desses recordes pelo Brasil, quis partir para novas e maiores aventuras, um desafio fora do País, e fiquei sabendo da travessia Alasca – Terra do Fogo, da possibilidade de estabelecer essa nova marca e decidi encarar, seguir rumo ao Alasca para a maior aventura da minha vida, desbravando esses 23 mil quilômetros até Ushuaia”, completou.