MTB Festival: adeus de Avancini e dupla vitória de Raiza

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MTB Festival: adeus de Avancini e dupla vitória de Raiza

José Gabriel vence a prova do cross country em Mairiporã na despedida de Avancini, que teve um pneu furado

Avancini na disputa em Mairiporã (SP)

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O MTB Festival 2023, em Mairiporã (SP), marcou mais uma despedida de Henrique Avancini (Caloi Henrique Avancini Racing), que anunciou sua aposentadoria em agosto e escolheu competições importantes em sua trajetória para se despedir dos fãs. Neste domingo (15 de outubro), o bicampeão mundial de MTB Marathon teve um pneu furado e perdeu tempo. O vencedor foi José Gabriel (Oggi Bike) que, na sexta-feira (13 de outubro), disputou o short track e terminou em segundo após uma chegada comentada.

Avancini e José Gabriel cruzaram juntos a meta, com apenas 1 centésimo de diferença, segundo mostrou photo finish, mas Avancini teria feito uma manobra irregular. “Não teve polêmica, eu fiz a tangente mais aberta e volto no trilho. O guidão do Zé Gabriel clipou, quando entrou por baixo a roda dianteira perdeu o contato, acabei me desclipando e vencendo. Eu não tive estratégia, quem conhece meu jeito sabe que eu estava sobrevivendo, senti bastante o ritmo, foi a primeira acelerada que dei desde a Copa do Mundo. Estava com frescor físico, mas sofri muito com a intensidade. Na primeira volta meu batimento estava no máximo, então estava mais sobrevivendo. Sabia que o pessoal ia hesitar, então minha estratégia foi tentar ter uma boa leitura. Na reta final fui um pouco além já que estava na situação de vantagem, mas minha chegada não foi tão boa. Assumi um risco, mas fiz uma prova”, disse Avancini.

Já no XCO, com o furo, Avancini encerrou em 1h31m40s e José Gabriel com 1h24m40s. Ao cruzar a linha de chegada, Avancini abraçou os pais e chorou. “Bem difícil falar hoje, é um dia muito especial para mim, para todo mundo que fez parte da minha jornada. Sou muito grato por ter aprendido tanto em cima de uma bike, pode parecer maluquice, mas estou muito feliz que furei o pneu, acho que foi a melhor forma de honrar o esporte como atleta, dando tudo. Foi tudo como tinha que ser, curti muito o calor da galera”, comentou.

Ainda muito emocionado, o ciclista falou sobre sua paixão pelo esporte. “Esse esporte é muito bonito, mistura de sensação, de emoção, me dediquei 26 anos da minha vida a competir em cima de uma bike. Estou me aposentando sem saber tudo, é um esporte bonito e completo, me ensinou muito na vida”, completou. O atleta da Caloi agradeceu a cada experiência vivida dentro do esporte. “Sou grato por tudo, por cada adversário, cada torcedor, minha vida na bike e como atleta foi muito improvável e muito bonita. Tive a felicidade de alcançar muita gente com meus erros e acertos. Foi um canal para passar muita coisa para muita gente. Sou realmente grato por ter uma carreira que foi muito mais do que só alinhar e competir. Recebi muito carinho e muito ódio, mas isso me levou a uma evolução que sou muito agradecido”, finalizou.

Raiza Goulão comemora vitória no XCO Foto: Alemão Silva

No feminino, a campeã foi Raiza Goulão, que venceu o XCC e o XCO e encerrou sua temporada de provas valendo pontos UCI (União Ciclística Internacional) no Brasil. Agora, o foco está nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, onde disputa a prova do cross country no sábado (21), às 11h30. (Veja programação completa aqui)

Raiza atacou com cerca de 50 minutos de corrida, na quarta de seis voltas, sem dar chances para suas adversárias. “Quando dei o ataque, sabia que tinha que ser certeiro. Dali, começou a prova. Aí, sim, foi nível de prova internacional. Chegar morta, vencendo a melhor. Embora não tenha chegado nesse nível, porque eu ainda tinha um gás guardado, estou muito feliz com essa vitória”, comemorou.

No primeiro ataque, a vencedora quebrou o pelotão e ficou apenas com Karen Olímpio ao seu lado. Na sequência, atacou e abriu 1 minuto de vantagem. Na quinta e na sexta voltas, manteve o ritmo constante e cruzou com 1h30min16s. “Estava sentido falta do carinho e do calor do torcedor do Brasil. Estava há mais de dois meses fora do País. Nossas provas na elite feminino estão cada vez mais um jogo de xadrez. Uma prova não muito física, mas estratégica. Uma pena, porque acaba que quando vamos para fora perdemos em experiência e ritmo. Isso me faz crescer, porque tenho que trabalhar mais. O jeito é ter uma estratégia no Brasil e outra na Europa”, avaliou Raiza.

“Consegui fazer meu trabalho bem feito, me coloquei numa bolha. É um ano de grandes vitórias, mas crescimento. Mas ainda não estou na performance que eu almejo para tentar estar nas Olimpíadas em 2024. Hoje, posso dar uma notícia para meu treinador, Victor Rielvez. Hoje foi para nós. Também foi pela minha família, as várias que tenho espalhadas no Brasil, e também para meu pai, Tatu, minha mãe Venuzia e meu irmão Raoni. Em dezembro estarei em casa com vocês”, finalizou.