O que significa a Campagnolo fora do WorldTour depois de mais de 70 anos

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O que significa a Campagnolo fora do WorldTour depois de mais de 70 anos

É a primeira vez nestes mais de 70 anos que o fabricante italiano não estará presente nas bikes das equipes que competem no mais alto nível do ciclismo mundial.

Campagnolo de fora do pelotão WorldTour pela primeira vez em mais de 70 anos

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

A Campagnolo está fora do pelotão WorldTour em 2024. O fato é sabido desde o dia 3 de dezembro de 2023, mas a notícia não ganhou repercussão no mercado. A ausência de uma das mais tradicionais e queridas marcas de componentes do mundo levanta especulações sobre o futuro da casa italiana.

É a primeira vez nestes mais de 70 anos que o fabricante italiano não estará presente nas bikes das equipes que competem no mais alto nível do ciclismo mundial.

A última equipe WorldTour a usar oficialmente os componentes Campagnolo foi a francesa AG2R-Citroen, que então pedalava bikes BMC. Em dezembro a nova equipe ganhou o nome de Decathlon-AG2R e anunciou a adoção de bicicletas Decathlon/Van Rysel e componentes Shimano.

A Campagnolo, fundada em 1933 em Vicenza, sempre teve ótima reputação em termos de qualidade, confiabilidade e durabilidade. As coisas começaram a mudar a partir dos anos 2000, com o crescimento de fortes concorrentes, como a Shimano e mais tarde a Sram. A italiana ao lado da japonesa e da norte-americana formavam o seleto grupo conhecido como “As Três Grandes”.

Pouco a pouco a Campagnolo foi perdendo terreno no mercado e diminuindo a participação no pelotão profissional. A transição para os freios a disco não foi tranquila para a Campagnolo, que a foi a última das três grandes fábricas de componentes a oferecer a opção de grupo de estrada com freios a disco.

A Campagnolo foi a última das Três Grandes a lançar grupo de estrada com freio a disco

A marca tem seus fãs incondicionais no mundo todo e equipa várias marcas italianas de prestígio, no nicho de mercado conhecido como Sport Luxury Bikes, com bicicletas ali na casa dos 8-10 mil euros para cima.

A Campagnolo ainda tem em linha grupos de estrada mecânicos e com freios convencionais. Além disso é o único fabricante a oferecer um grupo de 13 velocidades, o Ekar, criado para atender o mercado gravel.

O grupo Ekar de 13 velocidades é uma das atrações da marca

A empresa não divulgou os motivos da decisão de não manter contrato com nenhuma equipe do circuito WorldTour e, portanto, ficar de fora de todas as provas mais importantes do calendário mundial, inclusive as Clássicas, os três Grand Tours, os Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial de Ciclismo. Para bons entendedores o motivo mais óbvio é a diminuição da verba de marketing e o investimento em outras formas de publicidade talvez mais eficazes e menos onerosas.

A verdade é que para uma marca que já ganhou 42 Tour de France (a Shimano tem apenas 12 destas vitórias) a decisão de ficar de fora do que há de melhor do ciclismo pode ter consequências sérias para o futuro da empresa. Não é bom sinal para a empresa que um dia já foi a maior fabricante de componentes parar de patrocinar equipes profissionais.

Ficar agora de fora da briga das “Duas Grandes” vai fazer com que a Campagnolo pareça ter menor importância e  qualidade que as duas marcas que dominam o ciclismo de estrada, afinal, se um produto é bom e aguenta o tranco,  tem que estar no ciclismo de altíssimo nível. Estar presente no ciclismo de ponta é fundamental também para a pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

Em algum lugar nos tempos de globalização os italianos da Campagnolo perderam as rédeas e foram engolidos pelos concorrentes. Os otimistas acreditam que a Campagnolo deverá voltar ao pelotão WorldTour na próxima ou na outra temporada. A ver.

Giro d-italia