Copa do Mundo de MTB no Brasil: bastidores e impressões de Mairiporã

HomeCopa do Mundo de MTB

Copa do Mundo de MTB no Brasil: bastidores e impressões de Mairiporã

Editor do Bikemagazine conta como foi a cobertura da etapa de abertura da Copa em ano olímpico; próxima parada será a etapa de Araxá (MG)

Público compareceu em massa e foi um show à parte – Foto de divulgação WBD

Marcos Adami/Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Esta foi minha segunda Copa do Mundo. Balneário Camboriú foi a primeira, em 2005, sem transmissão ao vivo. Petrópolis eu não consegui ver in loco e perdi. Mairiporã não perderia por nada e a partir de amanhã estarei em Araxá com a certeza de que vou vivenciar outro evento memorável.

Para quem é novo neste esporte, a Copa do Mundo de mountain bike cross country é uma espécie de circuito de Fórmula 1. São oito etapas e pela primeira vez as duas primeiras no Brasil. Seria como ter F1 em Interlagos num domingo e no seguinte outra corrida em outro autódromo do Brasil. É importante não confundir com o Campeonato Mundial, que é etapa única. Este ano será no fim de agosto, em Andorra.

Quem teve a chance de ir a Mairiporã assistir a abertura da temporada no Brasil pagou e recebeu um espetáculo como aqueles do calendário mundial, com 25 mil pessoas de público nos quatro dias do evento. Em Petrópolis, 2022, foram 60 mil.

Se você pedala, curte ver as corridas na TV e está em dúvida se vale a pena ir para Araxá, vá. A vibração é outra. Ver em ação as melhores e os melhores do mundo em um rockgarden casca grossa, saltando longas rampas, descendo gaps enormes, voando em traiçoeiros single tracks, engolindo subidas como se fossem motos ou fluindo com elegância no pump track é impagável. Ao lado da pista, o público fez festa com gritos de apoio e barulhos de matracas e de motosserras, como nas mais prestigiadas e loucas etapas da Copa do Mundo.

Órfãos da RedBull
De 2012 até o final de 2022, assistir as etapas era moleza pelo canal Youtube da RedBull. Ver Avancini batendo guidão com europeus era compromisso todo domingo de etapa. O Brasil sempre foi um dos maiores públicos desta audiência.

Mas a coisa mudou muito a partir de 2023, quando a Red Bull Media House deixou de ser a produtora e responsável pela transmissão e no Brasil só dava para ver a corrida pagando o streaming do canal GCN Plus. Este ano, com duas etapas da Copa do Mundo no Brasil, a preocupação de quem ama e acompanha este esporte era saber onde iria passar e, de preferência de graça.

A Copa do Mundo, que agora carrega o pomposo nome de Whoop UCI Mountain Bike World Series, é transmitida pela Warner Bros Discovery, ou simplesmente WBD, que tem contrato com a UCI até 2030 e distribui o sinal para centenas de TVs no mundo todo. Só que não no Brasil.

Poucos dias antes da prova em Mairiporã, finalmente veio a feliz notícia da transmissão grátis pelo Youtube do canal da TNT Sports. Ufa, que bom, daria para ver as seis provas (entre XCC e XCO, masculino, feminino e sub-23) com 271 ciclistas de 37 países.

Padrão UCI 
Obter a credencial internacional da UCI para a cobertura tem seus trâmites exigentes e muitos amigos antigos de imprensa ficaram de fora. Em 2005 foi mais fácil. Toda a equipe da UCI vem de fora, bem como o locutor e os responsáveis técnicos pela transmissão, que montaram um aparato incrível com pelo menos 35 câmeras (algumas automáticas dotadas de grandes microfones) e dois drones, que foram proibidos para qualquer outra pessoa. Na sala de imprensa a língua oficial era o inglês e a eficiência dos jornalistas oficiais que geram conteúdo e informação rápida e precisa.

Existem credenciais e coletes diferentes, com acessos a setores diferentes da pista, dos paddocks e da área de largada. Minha credencial é de Media, ou seja, não pode filmar e nem fazer fotos em áreas específicas, mas serviu muito bem para meus objetivos.

Ao chegar ao evento todo mundo era obrigado a passar por um funil de entrada que força a todos a passar pelos estandes da feira antes de chegar à área da corrida propriamente. No domingo, um amigo levou uma hora do estacionamento até a entrada.

Foquei no que havia de melhor no evento: os ciclistas, a pista e a infraestrutura. Andei na trilha e no rockgarden, que confesso ser difícil de andar até mesmo a pé com bota de trekking. Na prova, voltei para ver como os melhores do mundo passavam sobre aquelas rochas. Só vendo de perto para entender.

As provas XCC preferi assistir da pista. Um pouco em cada ponto do circuito de 4,4km. Numa destas, encontrei no alto da trilha o Ruy Avancini, pai do Avança, com um rádio e um auricular para receber informações de sua equipe.

As corridas da elite preferi ver no telão da sala de imprensa, já que ali teria uma visão global da prova, com narração, informes de competidores, tempos e gaps. Na pista, apesar da emoção, só vemos um trecho de cada vez. Se alguém furar ou cair, só ficaria sabendo depois.

O acesso ao pódio era vetado para algumas credenciais e obter um depoimento de qualquer atleta não foi tarefa simples. Em ano olímpico, ninguém quer ficar de fora das primeiras etapas da Copa do Mundo, que contam pontos olímpicos para Paris. Num lance de pura sorte, encontrei a medalhista de ouro no Rio, a sueca Jenny Rissveds, vencedora da prova de XCO na elite, que gravou um vídeo onde diz que gosta do Brasil e da “selva”.

Para quem quiser conferir a cobertura visite nosso Instagram

Disputa da Copa do Mundo de MTB em Mairiporã

A próxima parada é em Araxá neste fim de semana. O circo com os melhores mountain bikers do mundo, aliás, já está por lá e amanhã (quinta-feira, 18 de abril) no fim da tarde já tem entrevista coletiva no Grande Hotel Araxá.

Depois de Minas Gerais o circo volta a se encontrar na República Tcheca no final de maio, quando encerra o ranking olímpico. Restam apenas cinco provas até lá e todo mundo que precisava veio ao Brasil atrás dos pontos nas duas provas.

Há países que já têm três vagas garantidas, mas vieram pela disputa da temporada da Copa do Mundo. Teve atleta que optou por não vir ao Brasil, mas foram poucos. Todo mundo quer se testar em ano olímpico. Foi o que fez a medalhista de ouro no Rio, que não perdeu a viagem e ganhou em Mairiporã.

Deixo aqui os parabéns a todos os 38 brasileiros que competiram. Terminar a corrida já é difícil. Ainda mais quem vem de longe, sem apoio nenhum e com pouca grana. Tinha muitos assim, do tipo que literalmente paga para viver a experiência inesquecível de um evento deste porte em nosso País.

LEIA MAIS
Copa do Mundo de MTB no Brasil

Giro d-italia