Paris-2024: Galinski, o baiano francês que vai representar o Brasil no MTB

HomeCompetiçõesJogos Paris 2024

Paris-2024: Galinski, o baiano francês que vai representar o Brasil no MTB

Ulan Galinski fala ao Bikemagazine sobre sua trajetória e as expectativas de disputar o XCO em Paris, onde seu pai nasceu

Galinski integra a equipe Caloi Henrique Avancini Racing há quatro temporadas

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O baiano Ulan Galinski (Caloi Henrique Avancini Racing) vai ser o representante do Brasil no MTB XCO em Paris-2024. A confirmação de sua convocação para os Jogos Olímpicos tem um significado ainda mais especial para o brasileiro, uma das revelações do mountain bike nacional, que também tem cidadania francesa e fala a língua com fluência. Seu pai, nascido e criado em Paris, chegou ao Brasil em 1995, se apaixonou na Bahia e ficou. O sobrenome Galinski, porém, vem dos bisavós russos.

“É uma mistura de culturas, típica do vale do Capão”, conta Galinski ao Bikemagazine, pouco antes de viajar para a Europa para as duas próximas etapas da Copa do Mundo de MTB, em Val di Sole, na Itália, neste final de semana (leia mais aqui) e em Crans-Montana, em Valais, na Suíça, no próximo final de semana. Depois, volta ao Brasil para cinco semanas de preparação para os Jogos de Paris em Petrópolis (RJ), onde conta com a estrutura e o apoio da sua equipe.

Ulan Galinski vai disputar as duas próximas etapas da Copa do Mundo

Com 1,69m de altura e 58 quilos, Galinski tem 25 anos e conquistou nesta temporada seu primeiro Top 20 em etapas da Copa do Mundo, justamente no Brasil, na etapa que abriu o calendário 2024 em Mairiporã (SP). “O Top 20 fez virar a chave e me deu mais combustível”, conta.

Quando questionado sobre sua meta para Paris, Galinski mostra confiança: “Estou em um momento interessante, sem pressão, não estou no radar, o que pode ser uma vantagem. Mas eu enxergo de forma leve. Quero fazer a melhor preparação da minha vida, entregar tudo de mim”, destaca.

Para os Jogos, Galinski usará o mesmo modelo de bike Caloi que já usa, mas com design especial, que confessa estar curioso para conferir. O baiano também ainda não conheceu a pista da prova em Yvelines, a 44 km da capital francesa. A disputa será no dia 29 de julho e, por enquanto, o atleta tem buscado informações sobre o trajeto. “Acho que a pista será mais física do que técnica.”

O primeiro contato que teve com o mundo do MTB profissional foi na ultramaratona Brasil Ride de 2014, quando foi com amigos conferir uma dupla de sua região, Anilton, o “Rasta”, e Alexandre, que estavam na disputa. “Nós éramos fãs deles, sempre andei de bike, mas não imaginava que existia o esporte, não sabia que tinha atleta que vivia da bicicleta”, lembra. “Foi também nesta ocasião que ouvi pela primeira vez o nome do Henrique Avancini.”

Em 2015, conquistou o campeonato baiano na categoria Junior. Depois dos primeiros anos competindo, em 2018 chegou a hora de encontrar Avancini na pista. “Foi em uma prova em Ibitipoca, tinha ido bem e alinhei na primeira fila. O Avancini me parabenizou. Um ano depois, em Ouro Branco, outra corrida e naquela vez fui o único que conseguiu responder ao ataque do Avancini. Em 2020 fui convidado para entrar na equipe, são quatro anos já.”

Galinksi terá o apoio da família, que está se preparando para a viagem a Paris. O baiano tem uma irmã e dois irmãos e todos, em algum momento da vida, participaram das atividades circenses do Circo do Capão, fundado por seu pai. “Meu pai foi artista circense famoso na época dele, veio ao Brasil aprender capoeira, se apaixonou pela pegada da baiana e criou os filhos em um lugar mágico e especial. O Vale do Capão é onde cultivei meus valores, é por ser dali que cheguei onde cheguei, tomei as decisões que tomei”, completa o atleta, que atuou no circo até os 13 anos, fazendo, entre outros, malabarismos. “Isso me trouxe desenvolvimento motor, físico e equilíbrio”, garante.

Agora, prestes a realizar o sonho da maioria dos atletas, é tempo de comemorar. “Após dois anos, o ciclo olímpico chegou ao fim, e não tenho palavras para descrever a sensação de conseguir concretizar o maior objetivo da minha carreira e estar prestes a viver meu sonho de disputar as Olimpíadas.”

LEIA MAIS
Jogos Paris-2024 no Bikemagazine