Tour de France: 2ª semana terá Tourmalet e primeira chegada ao alto

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Tour de France: 2ª semana terá Tourmalet e primeira chegada ao alto

Confira etapa a etapa da segunda semana do Tour, a partir desta terça-feira; no domingo, 14 de julho, Dia da Bastilha, etapa terá 4.850m de altimetria total em 197,7km

O Tourmalet marcou a história do Tour de France

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/ASO

A segunda semana do Tour de France 2024 terá etapas nas alturas, com direito ao Col du Tourmalet e a primeira chegada ao alto, no Pla d’Adet, onde, há 50 anos, Raymond Poulidor, avô de Mathieu Van der Poel, comemorou sua vitória no Tour de 1974. Há ainda o feriado do Dia da Bastilha, no domingo (14 de julho), com uma etapa espetacular, com a escalada ao Peyresourde e um final que inclui as subidas do Col d’Agnes e do Port de Lers seguidas até ao Plateau de Beille, um verdadeiro teste de resistência em 197km, com 4.850m de ganho vertical.

O Col du Tourmalet foi escalado pelo Tour de France pela primeira vez em julho de 1910 e passou a fazer parte de sua história e se tornou uma grande referência. Muitos dizem, vale destacar, que o Tour de France só se tornou o que é por causa do Tourmalet. A subida marcou a estreia do pelotão da prova acima dos 2 mil metros de altitude e as duas subidas para o Tourmalet já foram utilizadas 89 vezes pelo Tour (a mais recente em 2023), mais do que qualquer outra montanha na história da competição.

Steines é lembrado em placa na subida ao TourmaletMas para o Tourmalet entrar para o percurso do Tour foi preciso coragem. Antes de 1910, o Tourmalet era apenas um caminho entre dois dos picos mais altos dos Pirineus e a trilha era usada apenas por pastores que viviam entre os vales. O jornalista esportivo Alphonse Steines, de Luxemburgo, grande colaborador do criador do Tour, Henri Desgrange, foi o primeiro a sonhar com sua inclusão no percurso da prova.

A ideia de Steines não foi bem-recebida e quando os moradores locais entenderam o que ele estava planejando o jornalista chegou a ser motivo de piada. Eles estavam acostumados a estranhos que vinham para as montanhas de carro e que fracassavam ao tentar atravessar o caminho. Destemido, Steines apresentou-se ao superintendente de estradas da região, um homem chamado Blanchet, que também riu na cara dele. Era impossível. Talvez algumas das estradas ao longo dos desfiladeiros pudessem levar um ou outro carro, mas uma comitiva inteira de veículos de apoio e 250 homens em bicicletas? Impossível. Não só as estradas eram íngremes, elas também estavam em péssimas condições.

Steines, então, disse a ele que nada poderia ser feito sobre a inclinação da montanha, mas algo poderia ser feito sobre as condições da estrada. Ele prometeu ajuda financeira e Blanchet avaliou que seria preciso 5 mil francos. Steines comunicou a proposta a Desgrange, que ofereceu 3 mil francos. Blanchet aceitou.

Mas, antes de ir embora, Steines queria atravessar a passagem de carro e contratou um guia para o levar. Perto do topo, com muita neve, teve de desistir da ideia, mas resolveu continuar a pé, mesmo depois que o guia se recusou. O jornalista foi sozinho, e a certa altura caiu e perdeu-se, mas teve sorte de ser encontrado por uma equipe de resgate às 3h da madrugada. “Eu estava perdido e sozinho na escuridão. Eu não queria morrer em uma montanha hostil e desconhecida”, relatou na época.

Depois de descer a montanha e se recuperar, na manhã seguinte Steines enviou um telegrama a Desgrange, em Paris, que ficou famoso, onde se lia: “Atravessei o Tourmalet. Muito boa estrada. Perfeitamente passável. Assinado Steines”.

Octave Lapize foi o primeiro a encarar o Tourmalet no Tour de 1910

SEGUNDA SEMANA TOUR 2024
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Ventos laterais podem ser um desafio na etapa 10

A 10ª etapa, nesta terça-feira (9 de julho), abre a segunda semana do Tour, com 187,3km entre Orléans e Saint-Amand-Montrond. Na passagem por Issoudun, com as estradas expostas, o vento lateral deve ser um desafio a mais.

Oportunidade para escaladores na dura etapa 11

A 11ª etapa, na quarta-feira (10 de julho), com 211km entre Évaux-les-Bains e Le Lioran, é a única no Maciço Central e terá 4.350 metros de elevação total, com os últimos 50km desafiadores. O trajeto inclui a subida ao Col de Néronne, depois até ao Puy Mary Pas de Peyrol com os seus temíveis dois quilômetros finais, continuando depois até ao Col de Pertus, ao Col de Font de Cère e à subida a Le Lioran.

Subida do Rocamadour é o destaque da etapa 12

A 12ª etapa, na quinta-feira (11 de julho), com longos 203,6km entre Aurillac e Villeneuve-sur-Lot, passa por terrenos montanhosos, com destaque para a subida ao Rocamadour, que será percorrida no sentido oposto ao percurso do contrarrelógio do Tour de 2022.

Pelotão chega aos Pirineus na etapa 13

A 13ª etapa, na sexta-feira (12 de julho), com 165,3 km entre Agen e Pau, cidade conhecida como Porta dos Pirineus, deve movimentar as equipes dos velocistas, mas o percurso mostra que as escaladas estão para começar. As subidas de Blachon e Simacourbe podem ser um problema.

Col du Tourmalet no trajeto da etapa 14

A 14ª etapa, no sábado (13 de julho), vai percorrer 151,9km entre Pau e Saint-Lary-Soulan Pla d’Adet. A primeira etapa nas alturas dos Pirineus tem o lendário Col du Tourmalet (19km a 7,4%), a subida Hourquette d’Ancizan (8,2km a 5,1%) e a finalização no topo do Pla d’Adet (10,6 km a 7,9%). Vale destacar que a chegada em Pla d’Adet é a primeira das quatro chegadas ao alto do Tour 2024.

O Col du Tourmalet já é tradição no Tour. Já o caminho que sobe até Hourquette d’Ancizan é menos trilhado e está no percurso da prova pela sexta vez, depois da estreia em 2011. O Pla d’Adet deve oferecer o teste mais difícil do dia, com inclinações de dois dígitos no trecho inicial da subida até a linha e média de 9%.

Com muitas etapas difíceis restantes em jogo, o Tour 2024 pode não ser vencido em Pla d’Adet, mas certamente pode ser perdido nesta etapa.

Dia da Bastilha e subida final até ao Plateau de Beille na etapa 15

A segunda semana do Tour termina com a 15ª etapa, no domingo (14 de julho), feriado do Dia Bastilha na França. A etapa de 197,7km entre Loudenvielle e o Plateau de Beille, com 4.850 metros de ganho vertical, conta com a subida ao Col de Peyresourde (6,9 km a 7,8%).

Depois estão no trajeto o Col de Menté (9,3 km a 9,1%) e o Col de Portet-d’Aspet (4,3 km a 9,6%), mas com uma dificuldade a mais no final, que contará com as subidas do Col d’ Agnes (10km a 8,2%) e Port de Lers seguido do percurso até a chegada em Plateau de Beille. A subida final tem 15,8 km de extensão com um desnível médio de 7,9% com os desníveis mais difíceis na parte inferior.

AS ETAPAS
Etapa 1 – 29 de junho – Florença – Rimini – 206km
Etapa 2 – 30 de junho – Cesenatico – Bologna – 198,7km
Etapa 3 – 1º de julho – Piacenza – Torino – 230,5km
Etapa 4 – 2 de julho – Pinerolo – Valloire – 139,6km
Etapa 5 – 3 de julho – Saint-Jean-de-Maurienne – Saint-Vulbas Plaine de l’Ain – 177,4km
Etapa 6 – 4 de julho – Mâcon – Dijon – 163,5km
Etapa 7 – 5 de julho – Nuits-Saint-Georges – Gevrey-Chambertin – 25,3km (ITT)
Etapa 8 – 6 de julho -Semur-en-Auxois – Colombey-les-Deux-Églises – 183,4km
Etapa 9 – 7 de julho – Troyes – Troyes – 199km

8 de julho – descanso

Etapa 10 – 9 de julho – Orléans – Saint-Amand-Montrond – 187,3km
Etapa 11 – 10 de julho – Évaux-les-Bains – Le Lioran – 211km
Etapa 12 – 11 de julho – Aurillac – Villeneuve-sur-Lot – 203,6km
Etapa 13 – 12 de julho – Agen – Pau – 165,3km
Etapa 14 – 13 de julho – Pau – Saint-Lary-Soulan Pla d’Adet – 151,9km
Etapa 15 – 14 de julho – Loudenvielle – Plateau de Beille – 197,7km

15 de julho – descanso

Etapa 16 – 16 de julho – Gruissan – Nîmes – 188,6km
Etapa 17 – 17 de julho – Saint-Paul-Trois-Châteaux – Superdévoluy – 177,8km
Etapa 18 – 18 de julho – Gap – Barcelonnette – 179,6km
Etapa 19 – 19 de julho – Embrun – Isola 2000 – 144,6km
Etapa 20 – 20 de julho – Nice – Col de la Couillole – 132,8km
Etapa 21 – 21 de julho – Mônaco – Nice – 33,7km (ITT)

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