Tour de France: Mark Cavendish bate recorde com 35ª vitória

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Tour de France: Mark Cavendish bate recorde com 35ª vitória

Britânico vence 5ª etapa e entra para a história como o maior vencedor de etapas do Tour de France; Jasper Philipsen e Alexander Kristoff ficaram em segundo e terceiro

Cavendish na vitória da 5ª etapa do Tour de France 2024

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/ASO

Mark Cavendish (Astana Qazaqstan) fez história nesta quarta-feira (3 de julho) ao vencer a 5ª etapa e conquistar sua 35ª vitória em etapas do Tour de France e se tornar o grande recordista da corrida, superando a marca do lendário Eddy Merckx, mantida desde 5 de julho de 1975. O britânico de 39 anos tinha igualado o recorde de 34 vitórias em 2021 e desde então buscava uma oportunidade para ir além.

A conquista histórica chega um ano depois de Cavendish sofrer um acidente que encerrou sua participação no Tour 2023 na oitava etapa, um dia depois de perder para Jasper Philipsen a tão buscada vitória recorde. “Você corre e vai o mais rápido que pode até chegar ao final e talvez sua vida mude se você cruzar a linha primeiro, talvez não mude se você não fizer isso. Essa é a natureza desta corrida e o que a torna tão bonita.” Cavendish anunciou sua aposentadoria em 2023, mas adiou sua retirada do pelotão para buscar o recorde em 2024 (leia reportagem aqui).

Em sua grande oportunidade, usou toda a sua experiência em um sprint nervoso e deixou Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck) em segundo e Alexander Kristoff (Uno-X) em terceiro em sua 165ª vitória na carreira. “A Astana apostou muito neste ano para garantir que fôssemos bons no Tour de France. Meu chefe apostou muito para que a gente ganhasse pelo menos uma etapa. Isso mostra que ele é alguém que sabe o que é o Tour de France”, disse Cavendish, referindo a Alexander Vinokourov, campeão olímpico de estrada em Londres-2012 e vencedor de quatro etapas do Tour, que dirige a equipe Astana.

Cavendish conquistou sua 35ª vitória em etapas do Tour e bateu recorde

“Você tem que ir all-in. Nós fizemos isso. Trabalhamos exatamente no que queríamos fazer. Como construímos a equipe, como usamos o equipamento, cada pequeno detalhe foi pensado especificamente. Você vê o que isso significa? Não significa que estaremos no topo do ranking da UCI ou algo assim, mas o Tour de France é maior do que o ciclismo, não é?”, continuou Cavendish na entrevista após a etapa.

Sobre sua má performance no primeiro dia, o britânico respondeu: “Normalmente levo alguns dias para entrar na corrida. Eu sei como funciona, meu treinador e as pessoas ao meu redor sabem como é. Se todos soubessem como é, todos seriam ciclistas e meu trabalho seria muito mais difícil. Já fiz 15 edições do Tour de France, não gosto de ter dias ruins e não gosto de sofrer, mas sei que se é só na cabeça e se você se esforçar, você supera. Você trabalha e pode ter uma oportunidade, as coisas ainda têm que sair do seu jeito”, completou.

Vale destacar que Cavendish é profissional desde 2007, venceu o Campeonato Mundial de 2011 em Copenhague e a clássica monumento Milão-San Remo em 2009. Venceu etapas e a classificação por pontos em todos os três Grand Tours, e também faturou a camisa de líder. O britânico também se destacou na pista, incluindo três títulos mundiais e uma medalha de prata olímpica nos Jogos Rio-2016.

Cavendish com os filhos no pódio da etapa 5 do Tour 2024

A etapa largou de Saint-Jean-de-Maurienne e após algumas tentativas de fuga, no Km 25 Clement Russo (Groupama-FDJ) escapou, acompanhado logo depois por Matteo Vercher (TotalEnergies). Os dois ciclistas de Lyon chegaram a abrir 4min35s, mas a diferença da dupla estava sendo controlada pela Lidl-Trek e Alpecin-Deceuninck, que lideraram o pelotão.

A velocidade média registrada após duas horas de corrida em terreno plano foi de 39,2 km/h. Na primeira subida categorizada do dia – Côte du Cheval Blanc (Cat 4, km 104,6) – foi Russo quem pegou o ponto solitário para a classificação de montanha, com o pelotão 2min20s atrás.

Russo foi ainda o primeiro no sprint intermediário em Aoste (IS, Km 123,2) seguido por Vercher, antes do pelotão chegar e Mads Pedersen (Lidl-Trek) vencer um sprint em grupo à frente de Sam Bennett (Decathlon-Ag2r La Mondiale), Biniam Girmay (Intermarché-Wanty) e Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck). Os ciclistas seguiram para a segunda subida categorizada da etapa e havia chuva, com o pelotão gradualmente reduzindo o déficit para Russo e Vercher, finalmente alcançando-os com pouco menos de 36km para o fim, quando a subida da Côte de Lhuis (Cat 4, Km142,8) começou.

Passando pela Côte de Lhuis em primeiro estava Jonas Abrahamsen (Uno-X) para outro único ponto de classificação de montanha, garantindo a ele a liderança do ranking dos escaladores por pelo menos os próximos dois dias.

Na chegada em Saint-Vulbas, foi Cavendish quem mostrou sua classe e força no sprint final agitado para fazer história no Tour, cruzando a linha à frente de Philipsen, Kristoff, Arnaud de Lie (Lotto-dstny) e Fabio Jakobsen (Team dsm-firmenich PostNL), enquanto Girmay foi o nono e conquistou a liderança da camisa verde da classificação por pontos.

Na classificação geral, sem alterações, Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) permanece com a camisa amarela. Remco Evenepoel (Soudal Quick Step) é o segundo, a 45 segundos, e Jonas Vingegaard (Visma Lease a Bike) é o terceiro, a 50 segundos.

O camisa amarela Pogacar abraça Cavendish após a etapa

O camisa amarela teve um momento de tensão quando conseguiu escapar de uma queda. “Estávamos no pelotão e de repente algo surgiu do nada no meio, os que estavam na minha frente frearam e nós tocamos um pouco nas rodas, tocamos nos ombros, mas felizmente eu escapei. Reagi por instinto e tive muita sorte de evitar o acidente. É uma parte natural das etapas planas. O pelotão está sempre junto, quieto, sempre calmo, e é quando o perigo pode chegar antes que você perceba, quando você está relaxado e nunca sabe o que vai acontecer, comentou.

Sobre ter retomado a camisa amarela ao vencer a etapa anterior, o esloveno comemorou. “Foi uma sensação boa estar com a camisa amarela novamente, eu gostei. Foi um bom começo de dia, pois pude conversar com o pelotão. De qualquer forma, a melhor parte é que eu pude chegar à linha de chegada são e salvo em uma etapa complicada. Foi menos estressante do que Torino, no entanto, pois as coisas na frente sempre permaneceram relativamente calmas”, disse.

Pogacar fez questão de cumprimentar Cavendish (aliás, como a maioria do pelotão). “É incrível que Mark tenha conquistado sua 35ª vitória. Eu o vi depois da linha de chegada e ele me disse para não quebrar seu recorde, mas acho que ele vai permanecer por muito tempo.”

ÚLTIMO KM

MELHORES MOMENTOS

RESULTADOS

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AS CAMISAS
Camisa amarela – líder da classificação geral – 
Richard Carapaz (EF Education-EasyPost)
Camisa verde – líder da classificação por pontos – 
Biniam Girmay (Intermarché-Wanty)
Camisa de bolinhas – líder da classificação de montanha –
Jonas Abrahamsen (UNO X Mobility)
Camisa branca – líder da classificação de melhor jovem – 
Remco Evenepoel (Soudal QuickStep)

 

Próxima etapa
A organização do Tour preparou dois dias seguidos de etapas rápidas, para velocistas, algo raro na competição nas últimas décadas. Depois da 5ª etapa, a 6ª etapa, nesta quinta-feira (4 de julho) terá 163,5km entre Mâcon e Dijon.

A etapa 6 será a segunda seguida para os velocistas

AS ETAPAS
Etapa 1 – 29 de junho – Florença – Rimini – 206km
Etapa 2 – 30 de junho – Cesenatico – Bologna – 198,7km
Etapa 3 – 1º de julho – Piacenza – Torino – 230,5km
Etapa 4 – 2 de julho – Pinerolo – Valloire – 139,6km
Etapa 5 – 3 de julho – Saint-Jean-de-Maurienne – Saint-Vulbas Plaine de l’Ain – 177,4km
Etapa 6 – 4 de julho – Mâcon – Dijon – 163,5km
Etapa 7 – 5 de julho – Nuits-Saint-Georges – Gevrey-Chambertin – 25,3km (ITT)
Etapa 8 – 6 de julho -Semur-en-Auxois – Colombey-les-Deux-Églises – 183,4km
Etapa 9 – 7 de julho – Troyes – Troyes – 199km

8 de julho – descanso

Etapa 10 – 9 de julho – Orléans – Saint-Amand-Montrond – 187,3km
Etapa 11 – 10 de julho – Évaux-les-Bains – Le Lioran – 211km
Etapa 12 – 11 de julho – Aurillac – Villeneuve-sur-Lot – 203,6km
Etapa 13 – 12 de julho – Agen – Pau – 165,3km
Etapa 14 – 13 de julho – Pau – Saint-Lary-Soulan Pla d’Adet – 151,9km
Etapa 15 – 14 de julho – Loudenvielle – Plateau de Beille – 197,7km

15 de julho – descanso

Etapa 16 – 16 de julho – Gruissan – Nîmes – 188,6km
Etapa 17 – 17 de julho – Saint-Paul-Trois-Châteaux – Superdévoluy – 177,8km
Etapa 18 – 18 de julho – Gap – Barcelonnette – 179,6km
Etapa 19 – 19 de julho – Embrun – Isola 2000 – 144,6km
Etapa 20 – 20 de julho – Nice – Col de la Couillole – 132,8km
Etapa 21 – 21 de julho – Mônaco – Nice – 33,7km (ITT)

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